A medida já estava valendo desde a semana passada, mas precisava do aval do Congresso Nacional para seguir adiante. Agora, enfim, a intervenção federal no Rio de Janeiro está regularizada e será mantida até o prazo estipulado de 31 de dezembro de 2018. Nesta terça-feira, os senadores federais votaram de maneira favorável à intervenção por 55 votos a 13, com uma abstenção.

Em uma grave crise financeira e institucional, o Rio de Janeiro vinha sofrendo nos últimos meses por conta do alto índice de criminalidade - o que ficou ainda mais em evidência nos dias de Carnaval, quando até famosos foram vítimas de assalto, por exemplo.

Na semana passada, uma reunião envolvendo o presidente da República Michel Temer e o governador fluminense Luiz Fernando Pezão decidiu a necessidade da intervenção federal.

Na sexta-feira, o decreto foi assinado por Temer em cerimônia no Palácio do Planalto e imediatamente passou a valer com a nomeação de Walter Souza Braga Netto, comandante militar do Leste, como o interventor. Só que, em vias legais, o decreto precisaria ser avalizado pelas duas casas do Congresso. Em ambas, teve votação expressiva. Na madrugada de segunda para terça, a Câmara aprovou com 340 a 72. No Senado, o placar foi de 55 a 13. O decreto será publicado no Diário Oficial da União.

O texto do decreto diz que o objetivo é coibir o "grave comprometimento da ordem pública do Rio" e dá ao interventor amplos poderes de ação, deixando-o subordinado somente ao presidente da República e acima na hierarquia estadual.

Netto poderá solicitar amplos recursos de áreas humanas, financeiras e tecnológicas para dar sequência ao seu trabalho, que engloba o comando do Corpo de Bombeiros, Polícias Civil e Militar, Secretaria de Segurança e sistema prisional.

Na sessão plenária no Senado, o relator da matéria Eduardo Lopes (PRB-RJ) fez ponderações acerca da atual situação de segurança do Rio de Janeiro e destacou que o que acontece no estado carioca sempre tem muito maior repercussão.

"Essa situação de gravidade não é apenas do Rio de Janeiro [VIDEO], mas sabemos que o que ocorre no Rio tem sempre uma visibilidade maior. Tanto internamente como internacionalmente. Isso fica explicitado quando vemos assalto a carrinho de cachorro-quente com fuzil. Temos pessoas amedrontadas, com medo de sair de casa, ficando longe de eventos sociais", lamento o relator.

Discurso de Temer na sexta-feira mostrou preocupação com o futuro

Em uma cerimônia no Palácio do Planalto que contou com a alta cúpula de segurança do Governo Federal, o presidente Michel Temer deixou bem claro [VIDEO] na última sexta-feira a sua preocupação com o futuro dos cariocas por conta do presente repleto de violência.

"O crime organizado está tomando conta do Rio de Janeiro. Vejo-o como uma espécie de metástase altamente perigosa que pode ganhar ramificações para outros estados do Brasil. O crime está ameaçando a tranquilidade do nosso povo, e isso nós não podemos e não vamos permitir. Por conta disso estamos decretando, neste momento, a #intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro", discursou o peemedebista.

No mesmo passo em que a guerra do tráfico amedronta as favelas cariocas, bem como as milícias, crimes comuns como furtos e arrastões tiram o sono dos cidadãos de bem do estado. No mesmo evento, o governador Pezão lembrou que a cidade do Rio de Janeiro é cercada de rodovias federais importantes e que portanto é necessário um controle bem maior do que está circulando.

Desde sexta-feira o tema da intervenção no RJ ganhou prioridade no Governo Federal e teve rápida votação no Congresso Nacional, que paralisou as discussões da Reforma da Previdência para focar na segurança pública do Rio.