Raul Schmidt é investigado pela Operação Lava Jato, ele é acusado de ser um dos operadores de esquemas de corrupção. De nacionalidade luso-brasileira, Schmidt aguarda em liberdade seu processo [VIDEO], ele deixou a prisão em Portugal nesta última quinta-feira, 15 de fevereiro. A defesa do operador tenta colocar todo o processo no Tribunal da Relação de Portugal, alegando que o cliente não pode ser mandado para o Brasil, pois é um português nato e deve ser julgado no seu país de origem. Ao que tudo indica, Schmidt tenta se livrar do julgamento do juiz federal Sérgio Moro.

O recurso da defesa será analisado no Brasil através do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no entanto poderá demorar cerca de dois meses para uma decisão ser tomada.

O tribunal de Portugal resolveu conceder a liberdade para o operador por não encontrar motivos em mantê-lo preso enquanto os processos ainda estão em andamento, mas ele ainda é acusado e deverá responder pelos crimes. Raul Schmidt conseguiu de forma rápida sua cidadania portuguesa originária, ele correu contra o tempo para conseguir o documento e se vangloriar pelo fato da Lei do estatuto do cidadão nacional não permitir que um português nato seja extraditado. Desta forma, Schmidt poderá se livrar da Lava Jato no Brasil e ser julgado de forma menos ''pesada'' em tribunais portugueses.

O advogado Alexandre Mota Pinto passou informações ao meios de comunicação, ele é o responsável pelo processo de Raul Schmidt no Brasil e explicou que agora cabe a decisão do STJ, se acatará ou não o pedido da defesa. [VIDEO] Os advogados do operador desejam que os procuradores de Curitiba compactuem com as investigações em Portugal, enviando documentos e provas para serem realizados os julgamentos.

Este é o primeiro caso da Lava Jato em que um acusado tenta ser julgado em outro país, se tornando um ''desafio'' para Schmidt conseguir o feito.

A ministra da Justiça portuguesa, Francisca Van Dunem, afirmou que o operador deve ser julgado no Brasil apenas por crimes praticados antes de conseguir a cidadania portuguesa. Agora, caso Raul se livre da Justiça brasileira e de Sérgio Moro, o operador estará nas mãos do Supremo Tribunal de Justiça de Portugal.

Raul se tornou foragido da Operação Lava Jato e teve sua prisão decretada em Portugal. Ele é considerado um dos maiores operadores, sendo o responsável por pagamentos de propina a executivos ligados a Petrobras. Schmidt concedia de forma ilegal contratos da empresa para companhias internacionais e envolvia ex-agentes e ex-diretores.