Desde o começo da semana, ficou evidente que o Partido [VIDEO] dos Trabalhadores enfrenta dificuldades para ter candidato próprio à Presidência da República este ano. Após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá (SP), tornou-se real a possibilidade de uma eventual prisão. O nome mais cotado em seu lugar era o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, mas ele também foi apontado, nesta segunda-feira (26), em inquérito como destinatário de R$ 82 milhões em propina e em caixa dois.

Se pondo como vítima, as lideranças do PT afirmaram veementemente que a Operação Cartão Vermelho da Polícia Federal [VIDEO] caracteriza uma perseguição Política ao partido.

Perplexo em ver seu nome de maior destaque no Nordeste, Jaques Wagner, ser descartado como uma carta fora do baralho, a cúpula do PT tem incertezas quanto aos próximos passos a tomar.

Segundo Lincoln Secco, historiador e professor da Universidade de São Paulo, a ação contra Wagner não enfraquece o PT no Nordeste, já que o atual governador da Bahia, Rui Costa, sucessor de Wagner, é quem comanda a máquina estadual e Lula tem capital político próprio na região. Mas o golpe foi forte no sentido de Wagner ser o nome que estava pronto para substituir Lula na corrida presidencial.

Com o consentimento de Lula, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad tomou providências para a construção da unidade centro-esquerda na eleição. Por meio de conversas reservadas, dirigentes do PT alinharam pontos importantes com Haddad.

As possibilidades levantadas pelo ex-prefeito, no entanto, têm sido chanceladas pelo próprio Lula. Amigos do ex-presidente já avaliam que ele corre grande risco de ir parar atrás das grades.

Nos bastidores, Wagner disse que não poderia perder de jeito nenhum essa eleição, pois há a possibilidade dele ficar sem cargo e sem foro privilegiado. Haddad não tem apoio da cúpula para ser o "herdeiro" de Lula, mas o partido pode ser obrigado a bancar a candidatura dele ou a apoiar um nome de fora, mesmo que não queira.

Provavelmente tais questões vão ser melhores debatidas até o final de abril, quando os candidatos de cada partido devem se firmar como postulantes ao Planalto. Mas desde já se pode analisar as possibilidades e prever algumas situações. Independente do patamar que se encontre este jogo das cadeiras, o mais importante é que o senso crítico do cidadão de mantenha afiado.

Assim, dê uma atenção aos debates que virão. Questões para debate não faltarão e no final quem decidirá é o povo brasileiro.