O assunto polêmico sobre a prisão após a condenação em segunda instância tem sido uma verdadeira dor de cabeça no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2016, numa votação apertada, foi decidido que o juiz pode determinar o início da pena após o réu ser condenado em segunda instância. Essa decisão da Corte havia sido festejada pelos investigadores da Operação Lava Jato.

Porém, alguns ministros começaram a ter decisões monocráticas e desobedeceram a jurisprudência da Corte. Gilmar Mendes ,que havia votado junto com a maioria, em 2016, mudou de opinião drasticamente e resolveu, por conta própria, soltar vários condenados da Lava Jato, causando uma imensidão de críticas à Corte.

Edson Fachin sempre esteve votando a favor dos interesses da Lava Jato e nunca aceitou que houvesse uma mudança de entendimento sobre esse assunto, mas nos últimos dias tem estado um pouco diferente. Na sessão da Corte desta terça (20), ele reforçou a demanda para que seja rediscutido esse tema entre os ministros.

Fato estranho

Após uma reunião pedida pelo novo advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente da Corte, Sepúlveda Pertence, Fachin acabou tendo alguns atos um pouco incomuns com os seus pensamentos mais recentes.

Elogiado pelo juiz Sérgio Moro, como sendo um jurista de qualidade e um magistrado que serve ao Direito e não ao Poder, as atitudes de Fachin podem decepcionar a Lava Jato [VIDEO].

Primeiro, ele teve em mãos a chance de negar o habeas corpus para Lula, mas preferiu enviar ao Plenário para que todos os outros ministros decidissem sobre isso.

Depois, ele acabou jogando uma "bomba" no colo de Cármen Lúcia. A ministra está sendo pressionada por todos os lados. A maioria dos ministros querem que ela coloque na pauta da Corte o julgamento sobre um novo entendimento sobre a prisão após condenação em segunda instância.

Nova decisão

Edson Fachin sempre esteve ao lado de Cármen Lúcia. Essa atitude dele pode ser prejudicial às investigações da Lava Jato e ele sabe disso.

Se houver um novo julgamento, as coisas podem mudar e isso poderá ter um grande impacto no caso de Lula. Além de Fachin, Lewandowski também pressiona a ministra. Ele chegou a escrever um artigo na Folha de São Paulo defendendo que o réu não deve ser preso antes de acabarem todos os recursos.

Cármen Lúcia vai suportando. Ela afirmou, durante um encontro casual com Sérgio Moro [VIDEO], que não tinha intenção de colocar na pauta do STF esse assunto. Além disso, como uma forma de indireta para a defesa de Lula, a ministra ressaltou que o Supremo não pode mudar um entendimento para favorecer um caso específico.