O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso, ficou irritado e nada contente com as declarações feitas pelo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia. O caso aconteceu após Segovia conceder uma entrevista na ''Reuters'', na qual fez afirmações perigosas envolvendo um inquérito que tramita contra o presidente da República, Michel Temer.

Na entrevista, Segovia afirmou que não existiriam provas concretas [VIDEO] que condenam Temer, a respeito de um processo sobre um decreto que trata de área portuária. Além do mais, o diretor da PF afirmou que, se Temer quiser acionar formalmente a Polícia Federal, o delegado responsável por escrever perguntas remetidas a Temer poderia ser alvo de um procedimento administrativo disciplinar.

As falas de Segovia não causaram irritação somente no ministro do Supremo, mas também nos delegados que atuam na força-tarefa das investigações da Operação Lava Jato.

Barroso colocou no despacho que Segovia se manifestou de forma imprópria, podendo causar uma infração administrativa e até mesmo penal. Para ''reverter a situação'', o ministro do Supremo avaliou que Segovia deve dar novas declarações sobre o caso. A atitude drástica do ministro veio quando ele intimou o diretor-geral da PF a se posicionar a respeito das afirmações. Além do mais, o Ministério Público foi acionado para que esteja em plena consciência do ocorrido.

Membros que atuam na equipe de Michel Temer avaliam que Fernando Segovia errou ao dar tais declarações de forma antecipada e trazendo um clima tenso dentro da corporação da PF, além de citar o delegado responsável pela ação.

O Palácio do Planalto avaliou que o deslize de Fernando Segovia chama atenção, mas não ao ponto de derrubá-lo do cargo de chefia da PF. A Procuradoria Geral da República [VIDEO] também tem consciência das afirmações, porém diz que só se pronunciará a partir de autos que serão omitidos.

Conforme a intimação chegou em suas mãos, nesta próxima quarta-feira, 14 de fevereiro, Segovia responderá diretamente ao ministro do Supremo e dará sua posição sobre os acontecimentos.

Segovia agiu precipitadamente, dizendo que o inquérito que incide contra Temer será provavelmente arquivado, pois investigadores não teriam provas que incriminem o presidente da República. As falas contra o delegado responsável pelo caso motivaram ainda mais revolta pelos delegados da Lava Jato.