Investigadores da Polícia Federal (PF) estão juntando todos os fatos e detalhes para saber o que realmente motivou o assassinato do empresário José Roberto Soares Vieira. Ele fez fortes revelações à PF sobre um esquema fraudulento que envolvia repasses milionários de propina de contratos da empresa Transpetro com a Petrobras.

O empresário assassinado havia dito em um depoimento que participou de toda essa sujeira e citou todas as pessoas envolvidas. Ele acabou sendo solto porque seu crime foi considerado de menor proporção, porém, outros que foram citados pelo empresário acabaram sendo presos, como o ex-gerente da Transpetro, José Antonio de Jesus.

Conforme informações do delegado da Lava Jato, Marcos de Castro Laranjeira Carvalho, a vítima estava com pressentimentos ruins nos últimos dias de sua vida. Ele chegou até a dizer para sua secretária que se algo acontecesse com ele, era devido à Lava Jato.

Em novembro do ano passado, ele forneceu informações preciosas para os procuradores e depois disso se sentiu ameaçado. Ele estava em negociação para vender seu carro e comprar um blindado. Ele sabia de muitas coisas e toda a investigação está sob sigilo. Existe a desconfiança de que ele foi morto para que se apagassem relevantes informações sobre pessoas poderosas.

O delegado afirmou que a polícia chegará rapidamente ao autor dos disparos e nas pessoas envolvidas, possíveis mandantes do crime. A investigação está em caráter prioritário, já que é uma execução de uma testemunha da Lava Jato [VIDEO].

Se nada for feito agora, políticos, juízes, desembargadores podem ter o mesmo destino de Vieira e acabarem sendo vítimas de emboscadas. A PF quer uma punição exemplar para os culpados e vai até o fim para chegar ao assassino.

Aviso do juiz

O empresário morto delatou um forte esquema de propina arrecadado em acordos com a Petrobras. No dia 26 de janeiro, o juiz federal Sérgio Moro percebeu que o assassinato teria relação com a Lava Jato [VIDEO] e pediu para o Ministério Público Federal (MPF) investigar o caso. Moro deixou a entender que aquele fato seria uma queima de arquivo.

Depoimentos

Já foram recolhidos vários depoimentos de pessoas próximas a Vieira. O seu motorista afirmou que em todos os lugares que iam ele se preocupava com um possível ataque.

De acordo com as informações do depoimento da vítima, realizado em novembro de 2017, José Antonio se utilizava de seu alto cargo na Transpetro para solicitar vantagens indevidas.