O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro José Antonio Dias Toffoli, concedeu um discurso em um evento da American University em Washington e afirmou que o Judiciário não deve "satanizar" a política e os políticos, porque eles são a seara do jogo democrático. Sem falar o nome de Sérgio Moro, Toffoli pode ter dado indiretas fortes ao juiz da Lava Jato.

O evento era uma conferência sobre o combate à Corrupção. De acordo com as declarações de Toffoli, os ministros da Corte devem ter prudência diante das decisões para não tomarem à frente atribuições que são destinadas a outros Poderes.

Toffoli citou vários mecanismos utilizados pela Justiça para combater os esquemas criminosos de corrupção.

Ele falou da Lei Anticorrupção, o que possibilitou a delação premiada, meio importantíssimo que fortaleceu as investigações. O ministro disse que essa Lei foi aprovada no Congresso Nacional e enalteceu o trabalho democrático dos parlamentares.

Para o vice-presidente da Corte, os próprios investigados sancionaram leis para combater a corrupção, por isso, não se pode "atacar" a política [VIDEO]como se tudo estivesse sendo feito de uma forma errada. "Foram presidentes da República que hoje são investigados e condenados que fizeram a sanção dessas normas", disse o ministro.

Herói

Num certo momento do discurso, Toffoli ressaltou que as pessoas não podem ter o pensamento de que o combate à corrupção no país é a ideia de um herói. Isso seria uma afronta às outras instituições, disse ele. Vale ressaltar que Toffoli não citou o nome do juiz federal Sérgio Moro [VIDEO].

O magistrado responsável pela Operação Lava Jato é visto por muitos brasileiros como um exemplo de dignidade e responsabilidade na conquista de um Brasil melhor. Foram as determinações do juiz da Lava Jato que levaram poderosos políticos para a prisão.

Constituição

O ministro afirmou que os processos de aperfeiçoamento da legislação após a Constituição de 1988, foram um ponto essencial para que as instituições ficassem mais fortes para combaterem os crimes.

O ministro da Corte também comentou que muitas pessoas acham que todo o progresso do país contra o crime vem apenas da vontade de um juiz ou de um promotor. Porém, segundo ele, as coisas vão além disso: são projetos estudados, nações que se desenvolvem e instituições que funcionam que trazem a chance do Brasil ser melhor do que antes.

O ministro evitou dar entrevistas após os seus dizeres. Com certeza, muita gente tinha perguntas para fazer a ele, ainda mais agora que o STF terá decisões importantes no caso do ex-presidente Lula.