Partidos e deputados [VIDEO] já começaram a negociar as trocas partidárias com a proximidade do período legal para as mudanças de partido, que se inicia no dia 7 de março. O objetivo principal das siglas é angariar o maior número de nomes fortes capazes de se eleger na eleição desse ano e fortalecer sua bancada. Já os deputados querem uma fatia maior do dinheiro repassado aos partidos para que possam bancar suas campanhas. Os valores a serem repartidos são do fundo eleitoral, que chega a R$ 1,7 bilhão, e mais R$ 888 milhões do Fundo Partidário. [VIDEO]

Em 2015, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu o fim do financiamento de campanha.

Agora, em 2018, será a primeira vez que o País passará por uma eleição federal nesses moldes. Isso significa que os candidatos terão menos dinheiro para gastar durante suas campanhas, o que aumenta ainda mais a disputa pelo dinheiro público para uso na eleição.

No ano de 2016, foi instituída essa "janela de transferência" para que os deputados pudessem mudar de partido sem que perdessem seus mandatos. A partir do dia 7 de março, políticos e partidos terão 30 dias para mover suas peças nesse jogo de xadrez de interesses. Do mesmo modo que o financiamento de campanha, essa será a primeira eleição com esse modelo de mudanças.

Segundo matéria publicada pelo jornal "Estadão", alguns partidos do Centrão chegam a prometer R$ 2,5 milhões para financiar a campanha de um deputado que mude de partido.

Na contramão dessa informação, o deputado Paulinho da Força (SD-SP), por exemplo, contou à publicação que possui uma planilha que comprova a impossibilidade desse negócio.

"Tem partido falando que vai dar R$ 2 milhões para cada deputado, mas não tem condições. Mostro logo a tabela para desmentir o cara”, afirmou o deputado.

Já o mensaleiro Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, afirma que separou R$ 2 milhões para cada deputado que queira mudar para seu partido da verba que irá receber do Fundo Partidário. Já o MDB, partido de maior bancada no Congresso, divulgou na semana passada que irá pagar R$ 1,5 milhão para cada deputado que queira se juntar ao partido de Michel Temer.

PT e PSDB em desvantagem

Dois dos maiores partidos do Brasil e com as segunda e terceira maiores bancadas da Câmara dos Deputados estão passado apuros nesse sentido. Como PT e PSDB irão lançar candidatos próprios na disputa presidencial, o maior valor da fatia do Fundo Partidário será usado para o financiamento da campanha desse nome.

Com isso, as chances de deixar uma parcela gorda para tentar arrematar alguns deputados são pequenas.

O Partido dos Trabalhadores foi o que mais perdeu deputados desde quando foram eleitos. No momento da posse, a bancada do PT era de 69 deputados, a maior eleita pelo voto. No decorrer dos anos e de mandato, 12 parlamentares saíram da sigla. O partido de Lula agora conta com 57 deputados em sua bancada, a segunda maior da Câmara.

Já o PSDB no momento da posse tinha a terceira maior bancada da Casa Legislativa e segue nessa posição, mas também teve suas baixas. Ao ser eleita, a bancada tucana era composta por 54 parlamentares. Após a saída de oito deputados, os representantes do PSDB agora somam 46 cadeiras na Câmara.

PT e PSDB também serão o segundo e terceiro partidos com a maior fatia do Fundo Partidário. Enquanto o Partido dos Trabalhadores vai receber R$ 212,3 milhões, os tucanos embolsarão R$ 185,8 milhões.

O partido que mais irá abocanhar essa fatia é o MDB, que possui atualmente a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 59 parlamentares. O partido comandado por Romero Jucá levará R$ 234,3 milhões para poder financiar suas campanhas.