Um novo conflito está começando a se formar entre o Ministério Público Federal (MPF) e as Forças Armadas [VIDEO]. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, decidiu enviar um pedido para a ministra e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia [VIDEO], para que seja desarquivado o caso da morte do deputado Rubens Paiva, que teria sido torturado e morto durante o regime militar.

Paiva foi assassinado dentro do quartel do Exército no ano de 1971, no Rio de Janeiro.

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O MPF acusou cinco militares de homicídio, ocultação de cadáver e por associação ao crime.

Em 2014, o ministro da Corte, já falecido, Teori Zavascki, decidiu arquivar o caso.

Teori se baseou na Lei de Anistia, onde os militares são protegidos de serem punidos por crimes que tenham motivação política durante o regime militar.

Raquel Dodge entrou com uma ação na Corte pedindo que o caso seja reaberto argumentando que crimes de tortura não prescrevem e pede para que sejam analisados precedentes internacionais e seja mudado o alcance da Lei de Anistia. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos questiona essa lei brasileira, ressaltando que mortes, torturas e desaparecimento devem ser punidos no Brasil. A atitude de Dodge causou uma reação imediata no Exército que divulgou em seu site um artigo detonando o MPF.

Forte declaração

Por meio de um artigo intitulado de "O Mistério da Lava Jato", o exército criticou duramente o MPF. De acordo com o artigo, o MPF agiu totalmente errado ao ser negligente quando perdeu as chaves de acesso ao sistema MyWebDay.

O conteúdo desse sistema trazia informações preciosas e provas que podiam ser analisadas diante da delação dos executivos da construtora Odebrecht. Porém, o sistema acabou ficando nas mãos de procuradores da República que não souberam aproveitar o material. O MPF impediu que a Polícia Federal (PF) tivesse acesso para não tomar a frente dos acordos de leniência com as empresas e a delação dos executivos.

Investigações

O material contido dentro desse sistema poderia solucionar pontos importantes das investigações. O juiz federal Sérgio Moro chegou a determinar que a PF pericie o material, mas porém, já era tarde, as chaves de acesso foram alteradas ou perdidas e nada se conseguiu tirar dos servidores que vieram da Suíça.

Para o Exército, o MPF tomou caminhos errados ao querer exclusividade no material e evitar que a PF se aproximasse. O correto era os procuradores terem testado as chaves de acesso quando o material chegou e não se preocupado apenas em guardar o conteúdo para que não vazasse as informações.