A Polícia Federal [VIDEO] pediu a prisão temporária do ex-governador da Bahia e ex-ministro do governo Dilma Rousseff [VIDEO], Jaques Wagner, em meio a Operação Cartão Vermelho, deflagrada nesta segunda-feira (26). O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) negou o pedido da PF.

A justificativa inicial da PF era a de que o pedido seria de condução coercitiva de Wagner, mas como a medida está suspensa desde dezembro, por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, foi solicita a prisão temporária.

Não perca as atualizações mais recentes Siga o Canal PT

O petista foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua casa e no gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo da Bahia.

Jaques Wagner é acusado de levar R$ 82 milhões em propina e caixa dois pelo desvio nas obras da Arena Fonte Nova, estádio de futebol que passou por reforma para ser sede de jogos da Copa do Mundo de 2014, em Salvador, na Bahia.

A Polícia Federal baseia a denúncia em delações de funcionários da Odebrecht e em material apreendido na OAS. A suspeita é que o consórcio vencedor da disputa para reformar o estádio, Fonte Nova Participações, composto justamente pelas duas empresas, tenha sido beneficiado para ganhar a concorrência e repassar o dinheiro do superfaturamente da obra.

Segundo informou a PF, "dentre as irregularidades já evidenciadas no inquérito policial estão fraude a licitação, superfaturamento, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro".

"Presentes"

Na casa do ex-ministro Jaques Wagner foram apreendidos 15 relógios de luxo. A delegada da PF que esteve presente na ação, Luciana Matutino Caires, informou que os objetos passarão por uma perícia para se estipular quanto valem. "Tinha para ele e tinha para dar de presente", disse a delegada.

Esse apreço de Wagner por relógio já havido sido destaque na imprensa, após a delação de Cláudio Melo Filho, ex-executivo da Odebrecht. Melho Filho afirmou que havia presenteado o petista com um relógio de R$ 20 mil em seu aniversário. Em sua defesa, Jaques Wagner afirmou que fez aniversário e ganhou um presente, não importava o que fosse: "ele me deu de presente uma garrafa de vinho, uma gravata, um relógio ou uma cesta de Natal, eu não vou ficar perguntando ao cara quanto custa", criticou. E ainda definiu a informação ter sido compartilhada em delação premiada como "cretinice".

Futuro do PT

O nome de Jaques Wagner era apontado como uma das possibilidades de plano B para substituir o ex-presidente Lula no pleito de outubro. Entre Wagner e Fernando Haddad, o nome do baiano é visto internamente com olhos melhores, enquanto o do prefeito de São Paulo é mais bem quisto pela militância petista.

Em nota após a deflagração da Operação Cartão Vermelho, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, afirmou se tratar de um perseguição política contra o partido.

"A sociedade brasileira está cada vez mais consciente de que setores do sistema judicial abusam da autoridade para tentar criminalizar o PT", afirmou a nota.

Em conversa com o UOL, os advogados de defesa de Jaques Wagner disseram que o ex-ministro está muito tranquilo com os fatos e chamou de "factoides" e "inverdades" os valores apresentados pela denúncia feita pela Polícia Federal.

O governador da Bahia, Rui Costa, correligionário de partido e aliado político de Wagner, defendeu o ex-ministro. Segundo ele, os mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador do Estado têm "cunho midiático e político". Rui Costa ainda denunciou que órgãos de imprensa chegaram a casa de Jaques Wagner antes mesmo da polícia. E concluiu afirmando que se a imprensa chega antes em um local que vai ter uma operação, é bem claro a intenção midiática do fato.