A presidente da mais alta Corte de Justiça do Brasil, ministra Cármen Lúcia, responsável pela condução dos trabalhos no Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO], atravessa, provavelmente, um dos momentos mais difíceis de toda a sua trajetória, em se tratando de sua carreira no Poder Judiciário brasileiro. A magistrada mineira vem sofrendo uma série de "pressões" provenientes de todos os lados, principalmente, em torno de uma decisão a respeito do julgamento no Plenário da Corte de um habeas corpus preventivo encaminhado pela defesa do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa medida tem como principal objetivo por parte da defesa do ex-mandatário petista, conseguir evitar a sua prisão, já que o mesmo foi condenado por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito das investigações da força-tarefa da Operação Lava Jato [VIDEO], da Polícia Federal, considerada a maior operação anticorrupção em toda a história contemporânea brasileira e uma das maiores já desencadeadas em todo o mundo.

Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, da décima terceira Vara Criminal Federal de Curitiba, no Paraná, no processo referente à aquisição do apartamento de luxo tríplex, localizado na cidade paulista de Guarujá, no litoral sul do estado, cujos recursos são derivados dos rombos bilionários praticados na maior estatal brasileira; a Petrobrás. O petista teve confirmada sua sentença de condenação em primeira instância, também na Corte de Apelação ou Tribunal de segunda instância, pelos votos de três desembargadores do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

'Pressão' altíssima no Supremo

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, já deu mostras de que a situação de Lula tende a se complicar, já que a magistrada não teria a menor intenção em pautar o caso refente a um habeas corpus preventivo apresentado pela defesa de Lula, juntamente ao ministro relator da Operação Lava Jato, na Suprema Corte, Luiz Edson Fachin.

Ao ser questionada sobre esse tema extremamente "espinhoso" para a Corte, Cármen Lúcia foi contundente, ao afirmar que "Fachin teria que descascar sozinho o abacaxi que plantou".

Entretanto, vale ressaltar que a ministra Cármen Lúcia vive um momento de muita pressão na Corte. A magistrada mineira tem evitado se reunir com o colegiado e chegou a reduzir ainda mais o seu núcleo de conselheiros. Nos bastidores do Supremo, dizem que isolamento semelhante a esse, somente nos tempos em que o ministro Cezar Peluso presidia a Corte, durante os períodos entre 2010 e 2012. Alguns dos casos que renderam críticas à presidente do STF, se referem ao veto parcial ao indulto natalino do presidente Michel Temer, a decisão da magistrada em barrar a posse da deputada federal Cristiane Brasil e o fato de Lúcia não pautar o habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula.