O procurador da República e membro da Operação Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima escreveu em sua página do Facebook indagações preocupantes sobre a atitude do presidente Michel Temer e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em relação à intervenção no Rio de Janeiro.

Lima enviou uma direta desconcertante a Maia através de uma pergunta forte. De acordo com o procurador, se o presidente da Câmara estava tão preocupado com toda a criminalidade, qual seria o motivo dele "enterrar" a proposta das 10 Medidas contra a Corrupção.

Na semana passada, Maia havia dito que estava muito preocupado com a violência no Rio de Janeiro e que, por essa razão, decidiu apoiar a intervenção federal na segurança pública do estado decretada por Temer. Porém, surgiram muitos debates envolvendo pontos que ficaram sem resposta com essa medida tomada pelo Governo.

Planejamento

A falta de planejamento na operação assustou muita gente. O próprio interventor designado a comandar a intervenção ficou sabendo de tudo cinco horas depois da efetivação.

Nada foi conversado antes. Temer quis passar a mensagem de que o governo dará um basta na criminalidade com repreensão forte dos militares contra os criminosos.

A questão financeira também foi levantada. A união está endividada e não falou como iria arcar com os custos de toda essa intervenção.

Segundo o presidente, os crimes no Rio são uma metástase que se espalha pelo país. A impressão que se dá é que existe mais barulho em tudo isso do que ação.

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Governo Política

Carlos Lima vê tudo isso como apenas um jogo político.

Rodrigo Maia está junto com Temer, mas o que causa estranheza é que em vários momentos ele demonstrou desconfiança com a atitude do emedebista e até mesmo membros das Forças Armadas acreditam que tudo pode ser um esquema meramente eleitoreiro.

Sem controle

O Ministro da Justiça, Torquato Jardim, chegou a fazer declarações que causaram um grande mal-estar entre o governo e a cúpula da Polícia Militar.

Em outubro de 2017, o ministro insinuou que o governo do Rio não tem controle nenhum sob a polícia e existem acertos de deputados cariocas com o crime organizado.

De acordo com o jornalista Josias de Souza, do portal de notícias UOL, existe um grande cinismo e hipocrisia envolvidos na intervenção e tudo tende a ser levado para baixo dos panos. Podem existir interesses alinhados com objetivos do governo, ainda mais num ano de eleições, onde qualquer ação pode ser questionada.

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