O empreiteiro Carlos Rodrigues Prado concedeu um depoimento ao juiz federal Sérgio Moro [VIDEO], nesta segunda-feira (19), e comentou fatos estranhos e atípicos que envolveram negociações com o assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Aurélio Pimentel.

Prado é proprietário de uma das empresas que foi contratada para realizar as obras do sitio de Atibaia, imóvel no qual o Ministério Público Federal (MPF) afirma ser de Lula. Conforme a denúncia feita, Lula teria sido beneficiado com reformas oriundas de dinheiro público vindas de contratos firmados de empresas com a Petrobras.

De acordo com Prado, Pimentel recebeu um orçamento do quanto custaria para que as obras fossem feitas no sítio.

A testemunha achou estranho o assessor aceitar o valor normalmente, no caso 163 mil reais, sem pedir nenhum desconto. A obra seria a construção de uma guarita e alterações num galpão dentro do sítio.

O valor foi pago em dinheiro vivo e dividido em quatro vezes. Conforme o depoimento de Prado, não houve nenhuma discussão. Tudo foi muito rápido e a impressão que se tinha é que eles queriam pressa nas obras. Pimentel era o responsável em dar andamento aos procedimentos para que tudo ficasse pronto.

Nota fiscal

Um outro ponto levantado pleo empreiteiro, foi que, após o término dos trabalhos no sítio, ele foi chamado pelo diretor da Odebrecht, Emyr Costa, para que emitisse uma nota fiscal.

Prado recebeu por telefone através do assessor de Lula, os dados de Fernando Bittar, que é filho do ex-prefeito de Campinas e amigo de Lula, Jacob Bittar.

Em suas declarações, Prado afirmou que não sabia de quem era o sítio. Como muitos funcionários da Odebrecht estavam ligados com as reformas, ele imaginou que seria de algum presidente da construtora.

Denúncia

Segundo a denúncia do MPF, as empresas: Odebrecht, OAS e Schahin gastaram em torno de R$ 1 milhão no sítio. A defesa de Lula [VIDEO] nega essas informações e ressalta que Lula não é dono do sítio e vive perseguição política.

Na quarta-feira (21), serão ouvidas mais testemunhas do caso, entre elas está o presidente do grupo Schahin, Fernando Schahin. O próximo passo será ouvir as testemunhas de defesa e depois os réus.

Conforme a denúncia, seis contratos fraudulentos foram essenciais para bancar a reforma do sítio. As empresas envolvidas nesses contratos são: OAS, Odebrencht e Petrobras.

Os advogados de Lula insistem que o seu cliente não tem nada ver com isso.