O governo da Venezuela condenou nesta sexta-feira (02) o discurso do secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, sugerindo a possibilidade de um Golpe militar para derrubar Nicolás Maduro da presidência do país.

Em comunicado difundido pelo Ministério de Relações Exteriores da Venezuela, o país sul-americano repudiou as declarações de Tillerson, dadas nesta quinta-feira (01), durante um evento na Universidade do Texas, um dia antes de iniciar uma viagem pela América Latina para tratar principalmente da crise venezuelana.

O funcionário do Departamento de Estado afirmou sobre o governo venezuelano que “quando a liderança militar entende que ele não pode mais servir aos cidadãos, eles tentam uma transição pacífica”.

“Washington confessa, assim, suas intenções de agressão, contrárias aos mais elementares princípios do Direito Internacional Público que regem as relações entre as nações civilizadas”, denunciou o governo venezuelano. “Trata-se de uma estratégia de agressão integral, aceita e difundida abertamente pelos porta-vozes do Governo supremacista de Washington”, destacou o comunicado.

A mensagem ainda convocou todos os países latino-americanos e do mundo todo a rechaçarem “energicamente as agressões do Governo imperialista [VIDEO] de Donald Trump contra a Venezuela, e a defender o direito à soberania, à democracia e à paz dos nossos Povos”.

Afirmou também que o objetivo do giro de Tillerson pela América Latina “é incrementar as pressões sobre governos da região, para que acompanhem o perverso plano de agressões contra a Venezuela”.

Os melhores vídeos do dia

Forças Armadas recusam golpe

Por sua vez, a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), recusou a sugestão de Tillerson e jurou lealdade ao governo e à Constituição do país.

Em um comunicado lido diante de jornalistas da imprensa venezuelana e internacional, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, junto com o Estado Maior Superior da FANB, afirmou que “a Força Armada Nacional Bolivariana rechaça de maneira radical tão deploráveis declarações, que constituem – ademais – um nefasto ato de intromissão”.

Padrino, que também é general-chefe da FANB, destacou que o secretário de Estado norte-americano se equivoca ao pensar que as forças armadas da Venezuela poderiam atentar contra as instituições do Estado “e muito menos contra o Presidente eleito por vontade da maioria do povo”.

“Não aceitaremos jamais que algum governo ou potência estrangeira intervenha de nenhuma forma em nossa amada pátria, para o que sempre encontrarão uma Força Armada unida monoliticamente”, concluiu o militar.