O advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sepúlveda Pertence, que já foi ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO], saiu abatido de uma conversa que teve com a ministra Cármen Lúcia, nesta quarta-feira (14). Ele não quis conversar com os repórteres e, rapidamente, disse que Cármen não esboçou nenhuma reação de que iria colocar na pauta da Corte um possível novo entendimento sobre o cumprimento da prisão após condenação em segunda instância.

Cabisbaixo e pensativo, Pertence já estava armando outro plano em sua mente para poder livrar o ex-presidente Lula de uma possível prisão.

Em uma entrevista ao Estadão feita logo após o encontro com a ministra, Pertence disse que a esperança dos petistas está nas mãos do relator da Lava Jato no Supremo, o ministro Edson Fachin.

De acordo com o advogado, agora chegou o momento de trabalhar Fachin para que ele tome à frente da presidente da Corte levando até o Plenário o pedido de liberdade de Lula para julgamento.

Segundo o ex-ministro do STF, até Cármen Lúcia comentou com ele, no encontro, que Fachin poderia fazer isso, por ser o relator do caso, mas dependia da vontade dele.

Estratégia

Muita gente pode ter visto que a pressão sofrida [VIDEO] pela ministra, nos últimos dias, estaria agora com Fachin. Porém, conforme interpretações do site "O Antagonista", existe uma estratégia por trás de tudo isso.

Pertence apresentará um novo habeas corpus após a prisão de Lula. Ao chegar nas mãos de Fachin, para ele não precisar carregar toda a responsabilidade de negar ou aceitar o habeas corpus, ele encaminhará para o Plenário, onde ministros iriam votar e decidir.

Seria o mesmo caso do habeas corpus provisório que foi pedido pela defesa do ex-presidente, e Fachin tomou essa atitude de levar para o Plenário.

Com Lula preso, os ministros acabariam entrando no julgamento de um possível novo entendimento sobre a prisão de condenados após sentença em segunda instância. Ai vem a parte principal da estratégia: Gilmar Mendes, que havia votado, em 2016, para que a prisão fosse determinada pela segunda instância, já trocou de lado e disse que agora não vai mais votar assim.

Divisão

O Supremo ficaria todo dividido e a personagem principal em todo esse plano petista seria a ministra Rosa Weber. O voto dela seria decisivo, e Lula já está mirando nela.

Se ela mudar de posição, Lula pode se dar mal, já que o entendimento sobre o assunto se manteria. Caso ela permaneça com a mesma posição de 2016, Lula poderia se tornar um homem livre.