Foi entregue pela Polícia Federal um relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF) relatando a apreensão de um aparelho bloqueador de sinal telefônico, que atualmente é ilegal no Brasil, no apartamento do senador Aécio Neves [VIDEO] (PSDB-MG). A finalidade desses tipos de aparelhos é gerar interferência nos sinais de celulares, gerando ruídos de radiofrequência que impossibilitam uma possível escuta telefônica legal, caso seja solicitada pela Justiça.

No Brasil, não é permitida a utilização desses tipos de dispositivos eletrônicos e são proibidos pela Agência Nacional de Telecomunicações, a ANATEL, que veda sua utilização em território nacional.

Aécio afirmou que recebeu o aparelho de presente e nunca foi utilizado

O perito da PF Alan Jonathan Pereira concluiu, com auxílio de um aparelho analisador de espectro, que o dispositivo eletrônico encontrado no apartamento do senador estava configurado nas mesmas faixas de radiofrequência (RF) utilizadas pelas operadoras de celular [VIDEO], que são os serviços de móvel pessoal (SMP), e correspondem ao 2G e 3G, tecnologias de dados e voz utilizadas para celulares e internet móvel.

O advogado do senador, Alberto Toron, informou em nota que Aécio Neves havia recebido o dispositivo eletrônico de presente e desconhecia que sua utilização era ilegal por se tratar de um equipamento de uso restrito. Segundo o advogado, o político jamais havia utilizado o equipamento, que se encontrava guardado junto com outros presentes que ele recebeu.

Mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo STF

A Polícia Federal enviou um memorando contendo detalhes da perícia ao ministro do STF Marco Aurélio Mello, que é relator da ação cautelar e concedeu a autorização para as buscas e apreensões nas propriedades de Aécio Neves entre outros suspeitos. As investigações são decorrentes de denúncias coletadas nas delações premiadas dos executivos da JBS [VIDEO], que, entre outras acusações, apontam que o senador tucano teria participado de esquemas de lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

Não é a primeira vez que Aécio Neves é considerado suspeito de cometer atos ilícitos. O senador já foi acusado de ter utilizado celulares de “laranjas” para realizar ligações sigilosas, sem consentimento dos mesmos. A Polícia Federal nesta ocasião apreendeu 16 obras de artes famosas, incluindo uma do artista plástico Cândido Portinari. Aécio também já foi suspeito de ser privilegiado com vantagens indevidas e fraudar licitações no estado de Minas Gerais.