O juiz federal Sérgio Moro participou, nesta sexta-feira (02), da abertura de um evento em Nova York cujo tema era sobre corrupção na América Latina e citou vários casos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato.

Sem citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Moro afirmou que fatos cada vez mais inconvenientes estão aparecendo e movimentando os processos. O juiz comentou que muitas pessoas têm ilusões com ídolos, mas a verdade deve estar na frente de tudo isso.

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Segundo o juiz, ninguém é julgado pela opinião pública, mas por atos ilícitos como lavagem de dinheiro, propina e outras irregularidades.

Nesta terça (27), Lula concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo e fez vários ataques ao magistrado [VIDEO].

Para Lula, Moro agiu contra o PT por intermédio de interesses americanos. Lula falou que o correto seria a desoneração do juiz da Lava Jato e sua turma para o bem do serviço público.

No evento em Nova York, no momento das entrevistas, Moro foi questionado sobre essa entrevista de Lula e os ataques feitos contra ele. Numa atitude profissional, o magistrado se recusou a comentar as teorias de Lula e numa simples frase "humilhou" o ex-presidente: "Não respondo a entrevista de gente processada".

Sobre o auxílio-moradia, o juiz preferiu também não entrar em detalhes e nem quis comentar sobre uma possível paralisação dos juízes federais no dia 15 de março em decorrência deste benefício.

Foro privilegiado

O juiz paranaense defendeu o fim do foro privilegiado e afirmou que o futuro ainda é incerto na questão da corrupção, mas que acredita muito na força da sociedade.

Para o juiz, o Supremo Tribunal Federal [VIDEO] também não deve mudar o entendimento sobre a prisão após a condenação em segunda instância, por acreditar que é uma das formas de sucesso para combater a impunidade.

Ele lembrou a frase do ministro Luis Roberto Barroso, que chamou de tragédia qualquer mudança desse entendimento.

Lava Jato

Questionado se a Lava Jato teria prejudicado a economia no país, o juiz comentou que, na sua visão, são outros fatores que deixaram o país desestabilizado. Para ele, as investigações tendem a deixar o país mais propício a negócios do que com toda aquela corrupção instalada.

Em relação à Itália, Moro acredita que a Operação Mãos Limpas ajudaram o país a estar melhor hoje, mesmo assim, a Itália ainda tem muitos crimes de corrupção, mas sem essa Operação, tudo poderia estar pior.