É difícil prever qualquer resultado em relação às Eleições presidenciais de 2018, principalmente depois da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porém uma coisa que pode se confirmar é a presença do deputado carioca Jair Bolsonaro (PSL) no 2º turno. Essa é a afirmação do consultor político e jornalista, professor Eduardo Negrão, que já trabalhou em campanhas eleitorais de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Ele falou sobre o “Fator Bolsonaro” em um artigo publicado essa semana em alguns jornais. Ele também é escritor e seu último livro publicado é “Terrorismo Global”, pela Scortecci Editorial.

Segundo Negrão, além de surgir como uma alternativa para muitos eleitores que não querem nem PT e PSDB ou o PMDB, por exemplo. “Para horror desses partidos, Bolsonaro [VIDEO] terá o mesmo tempo de televisão que eles”, afirma Eduardo Negrão.

Por que a grande mídia ignora o crescimento de Bolsonaro?

O consultor político ainda destaca que as afirmações em torno do deputado não são meros palpites, mas suposições embasadas em fatos. Ele cita que apesar de estarmos em um ano eleitoral, toda a grande imprensa ignora “olimpicamente” o primeiro colocado nas últimas pesquisas eleitorais. “Em qual pesquisa Jair Bolsonaro aparece em primeiro lugar? Todas”, diz Negrão citando institutos como o Ibope, Paraná Pesquisas, IPSUS e Datafolha. Ele deixa claro que apesar de Lula aparecer, de fato, em primeiro nas pesquisas, não conseguirá consolidar sua candidatura em razão da Lei da Ficha Limpa e então, o primeiro lugar inevitavelmente passa a ser de Jair Bolsonaro.

Eduardo Negrão chama a atenção em seu artigo para a última sondagem do Instituto Paraná Pesquisas onde Bolsonaro aparece na frente do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em pleno estado de São Paulo. O consultor político destaca que Alckmin não é apenas o governador de São Paulo, e seu peso na política é muito grande, porque vem ocupando cargo eletivo no executivo paulista desde o ano de 1994, ou seja, está no poder em São Paulo há 24 anos, ficando fora de um cargo eletivo apenas durante quatro anos, mas mesmo assim, foi secretário estadual do então governador José Serra, também do PSDB.

Em uma entrevista sobre o lançamento de seu livro "Terrorismo Global" em rede nacional pela RIT TV, Eduardo Negrão fala no final do programa sobre o fator Bolsonaro. Veja o vídeo completo abaixo.

A força de Alckmin na política de São Paulo

Para Eduardo Negrão fica quase impossível calcular todo o espaço que o pré-candidato a presidência pelo PSDB conseguiu na mídia paulista nesse tempo em que disputou e venceu seis eleições para o governo e teve uma derrota em 2006 quando perdeu a eleição presidencial para Lula, mas ainda nesse contexto, ele conseguiu ser vencedor dentro do seu estado.

Ele ressalta ainda a eleição de 2014 onde o senador tucano Aécio Neves evitou ser massacrado pela ex-presidente petista Dilma Rousseff porque Alckmin transferiu a ele 15 milhões de votos, enquanto que Dilma teve apenas 8 milhões. “Então um deputado ‘carioca’, do baixo clero surge nas pesquisas eleitores à frente da oligarquia do PSDB que tem o controle do maior colégio eleitoral do país há muitos anos. Isso não é notícia?”, questiona o consultor.

Ele esclarece que a grande mídia ignora o crescimento de Bolsonaro pelo fato de um deputado pertencente a um partido nanico como o PSL, aterrorizar os gigantes das comunicações, além dos grandes partidos.

Segundo ele, o fator Bolsonaro pode ser explicado também pelo fato de ser um dos poucos políticos que arrebata fãs independente do lugar onde esteja, como no interior dos estados brasileiros, em um grande aeroporto como o de Dubai ou até mesmo numa estação de metrô como aconteceu em Tóquio, no Japão [VIDEO], além de milhões de seguidores e futuros cabos eleitorais nas redes sociais. “É um enigma que a nossa elite não consegue explicar”, finaliza Eduardo Negrão.