O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, foi um dos grandes protagonistas em beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a sessão sobre o habeas corpus do petista. O julgamento acabou sendo suspenso e remarcado para o dia 4 de abril e um dos fatores que favoreceu isso foi uma viagem que Marco Aurélio tinha.

O ministro chegou a dizer que Cármen Lúcia parou a sessão por conta própria, pois não era necessário interromper o julgamento pela sua ausência. Porém, muitos estão vendo esse comentário como uma tentativa de se livrar do peso da revolta do povo contra os benefícios que Lula tem recebido na Corte.

Após a sua viagem, ele deu uma pausa para uma entrevista rápida ao Programa Gente, da Rádio Bandeirantes. Uma pergunta acadou deixando o ministro totalmente sem graça e ele acabou abandonando o programa.

O entrevistador comentou que no STF [VIDEO] todos são iguais perante a Lei, exceto o ex-presidente Lula, aquele condenado por aceitar propina. Antes do entrevistador terminar de elaborar a pergunta, Marco Aurélio saiu revoltado e achou os dizeres uma ofensa.

Médicos

Médicos brasileiros estão compartilhando uma mensagem pelo WhatsApp tirando sarro do abandono do ministro na sessão para poder cumprir com um compromisso de viagem.

Após o ministro mostrar o seu cartão de check-in do voo para o Rio de Janeiro, que o impediria de continuar no STF, médicos compartilharam uma foto onde é feita uma cirurgia e nesse momento, um médico afirma que tem um voo marcado para as 19 horas e não poderia continuar o atendimento ao paciente.

"Deixa o peito dele aberto. Dia 4 de abril eu volto e termino", declara o médico na imagem.

Revolta

Muitas manifestações estão começando a ser organizadas para que haja uma pressão contra uma possível decisão do STF favorável ao habeas corpus de Lula. O general Mourão, por exemplo, convocou as pessoas para uma manifestação no dia 31 de março. Outros movimentos estão pretendendo unir as forças contra a Corte.

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) irá julgar os embargos restantes da defesa de Lula no dia 26 de março. A tendência é que se confirme as acusações contra o ex-presidente e o juiz Sérgio Moro poderia emitir um mandado de prisão, porém, apena emitir, a execução dependerá da decisão da Corte no dia 4 de abril.

Sérgio Moro estará, nesta segunda-feira (26), numa entrevista no Roda Viva da TV Cultura e há a possibilidade dele comentar sobre esse habeas corpus que será julgado no Supremo.