A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, pode renunciar à presidência da Corte, caso os seus colegas de tribunal passem por cima dela num ato de desespero para salvar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ministra quer respeito e que todos entendam que o comando da Corte está nas mãos dela e é ela quem decide sobre por em pauta um certo assunto ou não.

Esse gesto extremo seria um grande perigo para o Supremo e uma verdadeira resposta de quem atua a favor da Justiça e contra aqueles que tentam beneficiar réus em decorrência de um tipo de politicagem dentro do STF.

Na tarde desta terça (20), o ministro Celso de Mello chegou a dizer que Cármen Lúcia, por ter se negado a reunir os ministros para uma conversa sobre a prisão após a condenação em segunda instância, poderia sofrer um constrangimento histórico nunca antes acontecido na Corte.

O ministro fala sobre uma possível vergonha que ela passaria ao ser passada para trás durante as próxima sessões.

Porém, a ministra tem um apoio enorme do povo brasileiro. Ela tem estado no Google como uma das palavras mais procuradas, chegando ao terceiro lugar nesta terça. Vários famosos declararam apoio à ministra gravando vídeos.

Lava Jato

Cármen Lúcia [VIDEO]sabe que a Operação Lava Jato precisa dela e de sua resistência para continuar firme. O juiz Sérgio Moro declarou que acredita no bom senso dos ministros que são contra a prisão em segunda instância para que não alterem o entendimento, pois isso, prejudicaria todas as investigações. Para alguns, seria o "enterro" da Lava Jato.

Em entrevista à Globo, a ministra afirmou que não cederá sobre o tema da prisão após sentença da segunda instância pois seria um retrocesso para a Lava Jato.

O caso foi decidido recentemente pela Corte, mais propriamente em outubro de 2016, e mudar algo agora, seria apenas para beneficiar o ex-presidente Lula.

Sessão tensa

Esta quarta (21) será um dia de grande tensão na Corte. Há a possibilidade do ministro Marco Aurélio Mello apresentar uma questão de ordem pressionando para que Cármen paute o assunto da prisão em segunda instância.

Se a questão for levantada por Marco Aurélio, ministros podem começar uma votação e se o pedido for autorizado, Cármen seria obrigada a por na pauta da Corte esse tema.

Segundo o decano da Corte, a presidente do STF [VIDEO] ficaria "emparedada" e não teria saída.

A resposta da ministra seria a renúncia pois não se pode trabalhar em um lugar onde as pessoas não respeitam quem está no comando. O Supremo poderia se desestruturar.