O Rio de Janeiro e o Brasil ainda choram uma das mortes mais chocantes dos últimos tempos. A vereadora pelo PSOL, Marielle Franco, foi brutalmente assassinada na noite desta quarta-feira, no Estácio, capital fluminense, quando voltava de um evento que envolvia jovens negras. Moradora da favela e defensora de causas populares e de direitos humanos, ela foi alvejada por pelos menos quatro tiros na cabeça. Os disparos partiram do interior de um carro que emparelhou com o que a vereadora ocupava.

Além de Marielle, o motorista do veículo também acabou sendo vitimado por essa bárbara ação criminosa. Anderson Gomes foi atingido por disparos nas costas e não conseguiu resistir aos ferimentos.

Uma assessora da vereadora também estava no carro, e foi acometida por estilhaços dos vidros que se quebraram com os disparos. Ela não sofreu lesões de maior gravidade e, mesmo abalada, já concedeu depoimento à polícia.

O último adeus à vereadora foi dado durante esta quinta-feira, um dia de muita comoção no Rio de Janeiro e em outras tantas cidades brasileiras que fizeram atos para homenageá-la. Os corpos de Marielle e Anderson foram enterrados por volta das 18h sob forte emoção e aplauso de amigos e familiares. Antes, eles foram velados na Câmara dos Vereadores do Rio, local que Marielle - a quinta mais votada na última eleição - vinha ocupando nos últimos anos.

Na Cinelândia, uma vígilia foi feita para prestar homenagem e valorizar a história de luta da vereadora. Pela manhã, um ato ecumênico foi realizado e grande parte dos presentes esteve de branco.

Muita comoção marcou a chegada do caixão, que foi carregado também pelo deputado estadual do PSOL, Marcelo Freixo. Quem também se manifestou com muito pesar sobre o triste acontecimento foi Chico Alencar, deputado federal pelo mesmo partido.

"É triste, extremamente triste, e é triste saber que essa situação que agora tira a vida de Marielle não é uma novidade. É só lembrarmos do que aconteceu com a juíza Patrícia Acioli, que foi morta em Niterói por tentar combater a corrupção de alguns policiais. É assim no Brasil: está em risco quem tenta defender os direitos humanos e combater a corrupção. E as forças de segurança não fazem rigorosamente nada", protestou Alencar.

O crime ocorreu cerca de um mês depois do Governo Federal ter autorizado a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. Marielle vinha mantendo um trabalho de observação e análise de possíveis excessos cometidos pelos militares nas favelas e contra a população mais pobre.

Entenda o crime

Perto das 21h30 da última quarta-feira, o carro que era ocupado por Marielle Franco atravessava normalmente a Rua Joaquim Palhares quando ocorrera os disparos.

Relatos dão conta de que um outro veículo emparelhou ao lado e membros deste outro carro atiraram contra Marielle [VIDEO]. Como os tiros foram bem na direção de onde estava a vereadora, as autoridades trabalham com a hipótese de que houve perseguição prévia de até 4km.

Nove cápsulas de tiros foram apreendidas no local, e os bandidos fugiram sem levar nenhum pertence, o que praticamente inviabiliza a tese de assalto comum. Antes, Marielle estava em um evento na Lapa junto com outras mulheres negras em defesa de pautas de direitos humanos.

A polícia, portanto, trabalha com a tese de que os bandidos seguiram o veículo onde estava Marielle desde o momento em que ela deixou o evento na Lapa. Tanto o Governo Federal como o poder público do Rio de Janeiro lamentou o crime e pregou investigação imediata para que os responsáveis sejam punidos. Enquanto isso, a cidade maravilhosa segue agonizando enquanto sonha com a paz.