De acordo com o site "Folha Política", um jornalista do SBT achou estranho um comentário em forma de pergunta feito por um interlocutor do Supremo Tribunal Federal (STF). Após ser determinado pela Corte que o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva só iria ocorrer no dia 4 de abril, o interlocutor olhou para o repórter do SBT e jogou uma pergunta: "Você acha mesmo que vão julgar esse habeas corpus no dia 4?".

O Supremo poderia já estar planejando um novo adiamento desse julgamento e tudo para que acalme uma possível pressão que possa acontecer nas ruas.

Alguns analistas políticos comentaram que pode haver um pedido de vista no dia 4 e o habeas corpus de Lula ficar retido nas mãos de algum dos ministros, o que beneficiaria o petista, já que ele ele possui uma liminar que não pode ser preso até julgarem o seu habeas corpus.

Porém, essa é uma possibilidade remota, o adiamento é mais provável.

Colunista desabafa

O jornalista do portal UOL, Josias de Souza, afirmou que o julgamento que aconteceria nesta quinta (22) no Supremo e que foi adiado para dia 4 de abril seria a chance da Justiça mostrar ao povo que o Supremo visa fazer Justiça e punir os criminosos. Mas, não foi isso o que se viu ontem.

Estava quase tudo certo para o ex-presidente ter a sua prisão decretada nesta segunda-feira (26), mas os ministros da Corte sentiram dó de Lula e decidiram dar uma liminar para que seja aguardado o julgamento do habeas corpus do petista. Segundo Josias, o STF acabou desprezando o entendimento sobre a prisão em segunda instância que foi determinado no final de 2016.

Conforme o colunista, o Supremo causou uma "esculhambação" na sua própria jurisprudência e tudo foi "costurado" durante uma conversa rápida, num cafezinho.

Os compromissos de alguns ministros fizeram a Corte recuar e dar mais tempo para Lula [VIDEO] ficar livre e até mesmo zombar da Justiça.

Indignação

Dava para ver nas palavras de alguns ministros a indignação com todo esse fato. Edson Fachin não concordava com a liminar, talvez ele já previa um grande problema para a Operação Lava Jato [VIDEO].

Alexandre de Moraes criticou também a liminar e disse que aquilo tudo seria uma ação contra a jurisprudência da Corte.

Luis Roberto Barroso disse que seria irrelevante conceder uma liminar para uma pessoa só porque foi presidente da República. Segundo Barroso, ele deve ser tratado como qualquer outro brasileiro.

Luiz Fux lembrou que o Supremo já se decidiu sobre a prisão em segunda instância e essa liminar não faria sentido agora.