Os primeiros meses de 2018 não poderiam estar sendo mais turbulentos para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula. Ainda no final de janeiro, ele enfim foi julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4° Região - TRF4 e teve sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro ampliada para 12 anos e um mês. Desde então, convive com a possibilidade de ser preso.

Neste momento, a defesa do líder petista tem recursos a serem examinados pelo próprio TRF-4, mas não há a menor expectativa de reversão ou até mesmo anulação da pena.

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Por conta deste motivo, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido pressionado pelos petistas para julgar prisões em segunda instância, que é o caso específico do ex-presidente.

Em paralelo a estas turbulentas questões jurídicas, escritores se preparam para lançar um livro em defesa do ex-presidente do Brasil. Na próxima sexta-feira, com a própria presença de Lula, será lançado em São Paulo a obra “A Verdade Vencerá - O povo sabe por que me condenaram”, que já está sendo encarada como mais um instrumento de defesa nesse complicado momento vivido pelo petista.

Antes mesmo do lançamento oficial, alguns trechos do livro já estão sendo repercutidos pela imprensa. O texto da obra advém de uma entrevista dada por Lula aos jornalistas Juca Kfouri, Maria Inês Nassif, ao professor Gilberto Maringoni e à editora Ivana Jinking. As conversas ocorreram em fevereiro, já com ele condenado.

Em uma das partes mais emblemáticas da entrevista, Lula [VIDEO] garante estar "pronto" para ser preso.

A pergunta foi feita pelo jornalista Juca Kfouri - tradicionalmente identificado com as ideias de esquerda - e respondida com ares de tranquilidade pelo condenado.

O presidente garantiu de forma verbal que está "pronto" para ser preso. O que ele descartou drasticamente é a possibilidade de participação dele e do seu partido, o PT, em uma hipotética resistência armada ou luta armada. Ele relembrou que o PT se guia pelos princípios democráticos e que vai "levar a democracia" até suas últimas consequências e em qualquer circunstância.

Lula, por outro lado, garantiu que será obediente às orientações da Justiça assim como diz estar sendo até agora. Ele refuta completamente, por exemplo, a tese de que vai ir embora do país e buscar asilo político em outro lugar. Logo após a condenação em segunda instância, chamou a atenção na agenda do ex-presidente uma viagem marcada para a Etiópia para a participação em um evento de combate à fome, organizado pela Organização das Nações Unidas - ONU.

No entanto, o ex-presidente não realizou a viagem e cancelou a ida ao país africano.

Naquele período, ele chegou a entregar o seu passaporte para as autoridades, mas teve o direito de tê-lo de volta semanas depois por uma decisão do TRF-1, de Brasília.

"Não passa pela minha cabeça sair do Brasil. Eu não vou sair do Brasil. Eu não vou fugir. Essa palavra (fugir) não pertence ao meu vocabulário", prometeu.

Lula [VIDEO] também fez questão de repetir aquilo que já virou praticamente o seu mantra desde o início desse ano. Em uma clara e evidente crítica aos desembargadores e juízes que foram pivôs das suas condenações, ele disparou: "Sou um homem de espírito leve. Durmo com a consciência tranquila. Sei por que estou sendo julgado. Mas eles não têm a mesma consciência tranquila que eu tenho".

O Livro

Inicialmente, o livro “A Verdade Vencerá - O povo sabe por que me condenaram” será lançado com uma tiragem de 30 mil exemplares. O lançamento será nesta sexta-feira, das 16 às 18h, no Sindicato dos Químicos, em São Paulo. A editora é a Boitempo e o volume contém aproximadamente 200 páginas.