Em mais um discurso inflamado com relação à própria defesa sobre os crimes em que é acusado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, chegou a comparar os tempos atuais com o passado para dizer que estão o transformando no "primeiro preso político desse país no século 21". O líder petista ainda aguarda a decisão do seu recurso na segunda instância da Operação Lava Jato, que pode gerar sua prisão caso seja mantida a condenação.

A situação do grande líder da esquerda brasileira é complicada desde o final de janeiro. Na ocasião, os desembargadores do TRF-4 mantiveram por unanimidade a condenação de Lula em primeira instância da Lava Jato proferida pelo juiz Sérgio Moro.

Por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex, no Guarujá, ele foi condenado a 12 anos e um mês de prisão. Desde então, sua liberdade passa a ser objeto de dúvidas a cada dia que passa.

No início do mês, uma outra decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) prejudicou os planos de Lula. Por unanimidade, os cinco ministros que fazem parte desta Corte negaram um habeas corpus preventivo [VIDEO] da defesa que solicitava que se evitasse a prisão antes que todos os recursos de defesa fossem analisados. Portanto, o petista está apto a ser preso antes de nova resolução da justiça quanto à condenação.

Esse emaranhado jurídico, que aponta para a inevitável prisão, parece já está sendo absorvido por Lula. Nesta sexta-feira, durante lançamento oficial do livro "A Verdade Vencerá: O Povo Sabe Por Que Me Condenaram", o ex-presidente fez um inflamado discurso criticando as decisões judiciais e alertando que será transformado no "primeiro preso político brasileiro do século 21".

"Estou convicto de que se eles ousarem mandar me prender, estarão cometendo a maior barbárie jurídica desse Brasil. Isso porque estarão me transformando no primeiro preso político brasileiro do século 21", disparou Lula durante a sua fala no ato realizado no Sindicato dos Químicos, na cidade de São Paulo.

Livro e ataques

No livro [VIDEO], que foi realizado a partir de depoimentos do próprio Lula em fevereiro, quatro pessoas participação da escrita do texto, dentre eles o jornalista Juca Kfouri, historicamente identificado com o PT e com as bandeiras da esquerda. "O livro se compromete a trazer a verdade de Lula, e os leitores fatalmente ficarão convencidos dela", comentou.

Em tom mais inflamado, Lula atacou todas aquelas instituições que, de forma ou de outra, contribuíram para que ele chegasse a essa situação perto de ser preso. Até mesmo o trabalho da imprensa, personificado no jornal O Globo, foi duramente criticado.

"Eu estou com a consciência tranquila porque sei que foram muitas mentiras.

O jornal O Globo mentiu quando falou que eu era o proprietário daquele apartamento. A polícia mentiu no inquérito. O Ministério Público com a acusação, o Sérgio Moro com a primeira condenação e o TRF-4 quando até aumentou a minha pena", disparou.

Nesta linha, o petista disse que uma vez contada, a mentira nunca parará de existir e vai criar uma "rede" de mentiras em torno de si. Para ele, a principal mentira contada é de que ele seria o grande líder do esquema de corrupção na Petrobras, que deu origem à Operação Lava Jato.

A entrada do evento no Sindicato dos Químicos tinha um espaço de vendas de artigos em defesa de Lula, como bottons e camisetas. Também foram entregues panfletos que defendiam a tese de que houve fraude nas condenações do ex-presidente da República. Com o auditório cheio, Lula discursou ao lado de diversos apoiadores políticos e apoiadores. Por mais de uma ocasião, garantiu estar com a "consciência tranquila".