Presidente da Câmara dos Deputados e pré-candidato à Presidência da República [VIDEO], o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou nesta terça-feira, dia 20, que o Governo deve ter dificuldades para levantar os R$ 3,1 bilhões solicitados pelo general Walter Souza Braga Netto, responsável pelo comando da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. As informações foram veiculadas pelos portais UOL e G1.

A quantia havia sido pedida por Braga Netto para superar o déficit na verba destinada à segurança pública do estado do Rio. Em seu discurso nesta terça-feira, Rodrigo Maia revelou ter conversado com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, sobre a necessidade do governo em angariar recursos para a intervenção no estado fluminense.

“A gente pergunta: de onde virão os R$ 3 bilhões para suprir a demanda do interventor?”, questionou Maia, afirmando que o orçamento da União está “100% comprometido com despesas obrigatórias” e que “ninguém tem coragem de enfrentar esse tema”.

As declarações de Maia foram dadas durante o seminário “Segurança e Desenvolvimento: A importância do combate ao mercado ilegal”, promovido pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo Instituto Etco em Brasília.

Nesta segunda-feira, dia 19, o presidente Michel Temer (MDB) anunciou que irá elevar o repasse inicial previsto em R$ 800 milhões dedicados à intervenção para R$ 1 bilhão. Maia destacou que o governo pretende oferecer ao menos R$ 2 bilhões, mas que será necessário realizar “um trabalho para que se consiga esse dinheiro”.

Antes, o ministro do Planejamento e Gestão, Dyogo Oliveira, também já havia afirmado que o governo deverá um crédito extraordinário de R$ 1 bilhão para a reforma.

Projeto que prevê desoneração na folha de pagamento pode gerar verba para a intervenção

Maia também revelou que o governo deve investir na aprovação do projeto de lei que pretende realizar a desoneração na folha de pagamento para captar mais recursos que serão investidos na intervenção federal no Rio de Janeiro e no recém-criado Ministério Extraordinário da Segurança Pública, responsável por combater a criminalidade em todo o país.

O projeto da desoneração da folha de pagamento, que aumentará os impostos captados de empresas, já havia sido revelado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles [VIDEO] nesta segunda-feira, em entrevista concedida à rádio CBN. Maia voltou a tocar no tema nesta terça-feira, afirmando que o projeto pode “avançar rapidamente” na Câmara e no Senado, restando ao presidente Temer a decisão final de mover os recursos para as áreas requerentes.

O presidente da Câmara dos Deputados também revelou que pode apresentar um requerimento de urgência para o projeto, buscando acelerar os trâmites para tentar viabilizar a votação já para esta quarta-feira, dia 21.

Maia diz que quer defender reforma e desburocratização do Estado

Já em clima de pré-candidatura, Maia também declarou que quer defender a reforma do Estado, que, de acordo com suas palavras “atende a poucos” e possuí “uma burocracia que inviabiliza muitas vezes os investimentos” da iniciativa privada.

Maia também disse que o Brasil vive o que ele chamou de “uma grande anomalia”, afirmando que o país enfrenta “uma situação fiscal de muita dificuldade”. Segundo presidente da Câmara, a sociedade ainda não possuí uma “compreensão clara de que o Estado brasileiro não pode e não é capaz de tudo”.

O pré-candidato também criticou parte da atuação das agências reguladoras do Brasil, afirmando que os órgãos enfrentam falta de “preocupação objetiva” com os temas a serem regulados.