O empresário Marcelo Odebrecht [VIDEO], da empreteira que leva seu sobrenome, apresentou à Procuradoria Geral da República (PGR) e-mails que indicam o suposto envolvimento do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, no pagamento de propina para o pagamento de um imóvel pela Previ – o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil – por R$ 817 milhões em 2012. As informações foram veiculadas pelo portal de notícias G1 neste sábado, dia 10.

De acordo com os e-mails apresentados por Odebrecht, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) e pelo ex-deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) também estariam envolvidos no escândalo, tendo sido responsáveis por entregar parte do dinheiro da transação à Mantega.

Segundo informações da delação de Marcelo Odebrecht e de outros ex-executivos, a empreteira teria oferecido auxílio em colaborações futuras para que a compra do imóvel fosse aprovada pela Previ. O negócio foi concluído também em 2012, com a aquisição do imóvel pela Odebrecht.

Em sua delação premiada, Marcelo Odebrecht afirmou ter repassado R$ 27 milhões em uma conta que Mantega tinha acesso. Odebrecht também diz ter acordadoo o pagamento de R$ 5 milhões para os deputados, valor que sairia do total pago na conta a qual Mantega supostamente teria acesso.

E-mails mostram referência à “amigo GM”

Os e-mails são datados entre julho e agosto de 2012, e mostram troca de correspondência eletrônica entre Marcelo e os ex-executivos Paul Altit e Paulo Melo, então responsáveis pela Odebrecht Realizações Imobiliárias.

Nos documentos, Paulo Melo relata a Marcelo que a transação já estaria em andamento e alinhada com “o líder (GM)”, no que seria uma referência à Guido Mantega.

Marcelo então responde um dos e-mails, questionando se GM seria “seu amigo”, identificado em sua delação como o ex-ministro. "GM meu amigo? Se eh com GM vou precisar confirmar com ele”, respondeu Marcelo em um dos trechos.

Procurada, a Previ nega ter participado de qualquer esquema de favorecimento à empreteira. O deputado Carlos Zarattini também afirma desconhecer o conteúdo dos e-mails e da delação de Odebrecht, afirmando que todas as doações para seus custos de campanha foram “foram legais”. Mantega e Vacarezza ainda não se manifestaram sobre o caso.