O governo de Michel Temer vem batendo na tecla há algum tempo que os indicadores econômicos estão melhorando e a crise está se afastando do Brasil. Desde que assumiu o cargo, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, Temer adotou o discurso econômico como plano principal de seu governo. Leves sinais de crescimento, tentativas de aprovar reformas e queda nos juros não foram suficientes para melhorar a imagem do governo perante a população.

Percebendo que o discurso econômico não seria suficiente para diminuir a rejeição, Temer resolveu implementar o plano B e começou a apostar na segurança pública.

O principal fator, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, para o cenário ainda de insatisfação forte da população é o mercado de trabalho. Apesar de um leve recuo no número de desempregados, de março, quando atingiu 13,7%, e dezembro, quando chegou a 11,8%, o percentual ainda é bastante grande.

Em janeiro, segundo o IBGE, essa porcentagem cresceu para 12,2%. Esse aumento de quase meio ponto percentual é explicado porque o começo do ano é um período comum em que as pessoas tentam se inserir novamente no mercado de trabalho.

Um ponto que não é esquecido e atinge muita gente foi o "aumento simbólico" do salário mínimo, que passou de R$ 937 para R$ 954. Essa foi a menor correção nos últimos 24 anos.

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Eleições

Além de todos os indicadores não serem sentidos ainda no cotidiano e bolso do cidadão, estarem apenas nas manchetes de jornais, o cenário político turbulento e a inquietude dos eleitores por mudança também fazem com que os que estão no poder agora, seja quem for, tendam a ser rejeitados.

'Homens fortes'

Michel Temer, seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os três principais cabeças que falharam na hora de aprovar a reforma da Previdência, possuem apenas 2% das intenções de voto, segundo pesquisa do Datafolha divulgada no final de janeiro.

Quando a questão é aprovação, o cenário é pior ainda. Segundo o Barômetro Político Estadão-Ipsos, a desaprovação de Michel Temer está em impressionantes 93%. Henrique Meirelles tem uma taxa de aprovação de apenas 5%. Já Rodrigo Maia aparece com apenas 4% de aprovação.

Os três analisam a possibilidade de se candidatar à Presidência da República esse ano. Maia deve ter sua pré-candidatura oficializada essa semana.

Enquanto Temer e Meirelles brigam por espaço no MDB. O ministro estuda deixar o PSD e se filiar ao MDB para se candidatar pelo partido. Enquanto Temer ainda tem o devaneio de se eleger em outubro.

Plano ideal

O presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), se reuniu com Temer neste domingo (4). Um dos assuntos em pauta foi a possibilidade do partido lançar candidato próprio à Presidência. Após o encontro, em conversa com a imprensa, Jucá afirmou que "é preciso ter um candidato" do MDB nesse pleito.

Jucá foi outro que tentou resgatar o discurso da economia para alavancar uma candidatura. "Já que o resultado da economia está aí, seria um bom caminho pra fazer tudo isso", argumentou em defesa de um candidato próprio ao Planalto.

Jucá ainda tentou mostrar que o MDB possui diversos nomes em seu quadro de filiados que são capazes de entrar forte na disputa presidencial. Questionado diretamente sobre uma possível filiação de Meirelles para disputar o pleito, Jucá afirmou que o ministro é um "excelente quadro" e que " tem a condição de ser um candidato, se assim entender o nosso partido".

Para não desagradar Temer, Jucá também relembrou seu nome como alguém que está sendo discutido internamente com chances de ser lançado como candidato, mesmo com tamanha rejeição.

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