O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da operação Lava Jato no âmbito de Curitiba, concedeu uma entrevista nesta última segunda-feira, 26 de março, ao programa Roda Vida, da TV Cultura. O magistrado foi questionado sobre diversos temas polêmicos que rondam a Justiça. A conversa durou quase duas horas.

Moro deu a sentença estabelecida em 9 anos e seis meses ao ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, em uma ação sobre um tríplex no Guarujá, São Paulo. Durante a conversa com os jornalistas, o juiz federal enfatizou que o habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente não deve ser julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO]observando apenas do ''Caso Lula'', mas sim diversos outros processos parecidos na Corte.

A defesa de Lula tenta a todo custo livrar o petista da cadeia. Após a decisão final dos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª região, Lula poderia ser preso imediatamente. No entanto, os ministros do STF estabeleceram que o petista não poderá ser encarcerado até julgamento do habeas corpus marcado para o dia 4 de abril.

Para que Lula conseguisse se livrar da cadeia, a defesa pressionou ministros do Supremo para que fosse colocado em rediscussão as prisões após condenação em segunda instância. Sérgio Moro afirmou que, caso o Supremo mude sua posição a respeito disso, consequências ruins irão acontecer. O juiz lembrou que em 2016 cerca de 116 condenações foram confirmadas em segunda instância, isso apenas no âmbito de Curitiba.

Moro criticou o fato de existirem tantos recursos disponíveis ao réu, algo que leva um ''desastre''.

A impunidade e um problema que deve ser combatido, avaliou o juiz.

Candidatos à presidência

Indagado sobre o que acha dos candidatos à presidência para as eleições deste ano, o juiz disse que, como magistrado, não pode dar sua opinião pública, mas avaliou que há candidatos ''bons'' e há os que merecem maior nível de ''censura''. O juiz deu um recado para a população, dizendo que as pessoas devem perguntar questões básicas como saúde e educação para os candidatos à presidência. Além do mais, o juiz citou que o próximo presidente deve ser alguém disposto a tratar de temas como a corrupção.

Ao seu parecer, Moro afirmou que o futuro presidente pode tratar casos de corrupção utilizando uma emenda constitucional. Sobre Lula [VIDEO], Moro comentou que cabe agora o TRF-4 decidir o futuro do ex-presidente, pois o caso é ''muito específico''.