O Partido da Causa Operária (PCO) acusou a Polícia Militar (PM) e o Exército como os principais responsáveis pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) na última quarta-feira (14).

Em nota oficial, reproduzida em seu órgão de imprensa, o Diário Online Causa Operária, o partido disse que repudia o crime cometido contra a vida da vereadora “e responsabiliza os órgãos de repressão, atualmente comandados diretamente por um general”.

“Ela foi morta porque denunciou as atrocidades da PM e porque se opunha à intervenção militar no Rio. Isso precisa ser dito”, continua a nota.

Marielle Franco, eleita vereadora pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) nas eleições municipais do Rio de Janeiro em 2016, havia sido escolhida como relatora de uma comissão que irá monitorar a intervenção do Exército no estado. A atuação das forças armadas, bem como a da PM na periferia carioca, era fortemente criticada pela política.

Nascida e crescida na Favela da Maré, Marielle manteve estreitos vínculos com as comunidades carentes do subúrbio. Ela também vinha denunciando as atividades do 41º Batalhão da PM-RJ na Favela do Acari.

“Marielle foi morta para que não falasse, não denunciasse, não se opusesse”, afirma o texto do PCO, culpando os militares, “que estão tomando conta do governo federal e que pretendem tomar conta do país, aprofundando o golpe e a repressão sobre toda a população”.

O PCO defende que o processo de Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi, na verdade, um golpe de Estado e que a ascensão das forças armadas, especialmente do Exército, no cenário político nacional, representa um novo golpe.

O presidente do partido, Rui Costa Pimenta, declarou nesse sábado (17) que, devido ao crime ter ocorrido durante a intervenção do Exército no Rio de Janeiro, “as forças armadas têm plena responsabilidade sobre o que aconteceu”.

“É evidente que o assassinato é uma obra dos órgãos de repressão”, disse. Para Rui, a morte a tiros de Marielle, além de ter sido planejada e executada pelas forças da ordem, a ação não teria sido operada por um indivíduo ou grupo de indivíduos de maneira clandestina, mas com aval de toda a institucionalidade, cujo funcionamento é o “padrão do aparato do Estado”.

“Isso daqui [o assassinato de Marielle] não é uma excepcionalidade, isso daqui é [fruto da] a repressão estatal, isso daqui é a polícia, isso daqui são as forças armadas, isso que nós vimos é o Estado brasileiro.

No Rio de Janeiro eles [policiais] matam gente todo o santo dia, as mortes pela PM no Brasil inteiro são milhares por ano. Então não há como falar que isso daqui teria sido a ação de algum policial maluco. Isso é o resultado óbvio do aparato repressivo tal como ele existe no Brasil”, avaliou o dirigente comunista.

Em 2017, a polícia do Rio de Janeiro matou 1.124 pessoas, segundo a Folha de S. Paulo.

O 41º BPM, denunciado frequentemente por Marielle, é o que mais homicídios cometeu desde que foi criado, em 2010, sendo responsável por 12% das mortes (567).

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