Um novo fato, que para muitos pode ser considerado uma "bobeira" e que se acontecer será um duro golpe no coração da Operação Lava Jato [VIDEO], movimentou a cena política nesta segunda-feira (19). Trata-se de uma articulação em andamento nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) para conseguir livrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da prisão.

Segundo informações da colunista do "Estadão", Eliane Cantanhêde, a estratégia seria votar, nesta semana, o fim da prisão depois da condenação em segunda instância, assim estabelecendo que a execução da pena só deverá acontecer quando os recursos forem analisados no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a terceira instância da Justiça criminal do Brasil.

Uma brecha que pode salvar a "pele" de Lula

De acordo com a jornalista, a defesa do petista descobriu que o acórdão da liminar de outubro de 2016, que permite a prisão após julgamento em segunda instância, com confirmação do plenário do STF por 6 votos a 5, por incrível que pareça, não havia sido publicado até agora.

Com isso, surge uma brecha para revisão com a apresentação de embargos de declaração em liminares. Eliane Cantanhêde disse que o pedido de habeas corpus de Lula só poderá entrar na pauta através da presidência ou “em mesa” por um dos membros, porém, os embargos podem ser levados ao plenário a qualquer momento.

Também foi revelado que a ideia de publicar o acórdão nesse momento para gerar um embargo de declaração foi do ex-ministro do STF, Sepúlveda Pertence, defensor do petista nos tribunais superiores.

Advogados de Lula apostam em mudança no placar

Os advogados de Lula estão apostando em uma mudança no placar que resultou na prisão após segunda instância. Um outro fato que chama a atenção é que o ministro Gilmar Mendes, hoje apresenta uma opinião diferente do voto que apresentou em 2016.

De acordo com a jornalista do "Estadão", o acórdão teria sido publicado no último dia 7. Com isso, abriu cinco dias úteis para apresentação de recursos, o que de fato ocorreu no último dia 14, prazo final, pelo Instituto Ibero Americano de Direito Público.

O assunto deverá ser uma das pautas da presidente do STF, Cármen Lúcia, em uma reunião que será realizada nesta terça-feira (20). Se isso realmente acontecer, Lula poderá ter sua prisão adiada por muitos meses e, além disso, os políticos que foram condenados pela Lava Jato [VIDEO] que estão cumprindo suas penas depois de receber a análise da segunda instância teriam direito de entrar com habeas corpus e deixar a prisão.