Nesta segunda-feira (26), o juiz federal Sérgio Moro concedeu a sua primeira entrevista a uma emissora de TV ao vivo. Moro esteve no programa "Roda Viva', da TV Cultura, e respondeu a várias perguntas.

Questionado sobre uma possível alteração no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o entendimento do cumprimento da prisão após a condenação em segunda instância, o juiz foi bem contundente e deu uma ótima sugestão. Para que não seja necessário esperar todos os recursos antes de executar as penas, Moro defendeu a aprovação de uma emenda constitucional (PEC) que tenha no texto o atual entendimento.

O juiz afirmou que tem muita convicção e esperança que os ministros da Corte não alterem esse entendimento, que tem sido muito eficaz no combate à Corrupção, porém, se caso isso acontecer, há a necessidade de buscar alguma outra opção.

Sérgio Moro comentou que os candidatos à Presidência deveriam ser cobrados sobre esse fato para darem a sua posição a respeito da corrupção. "Pode-se estabelecer a execução de pena por emenda constitucional", declarou o juiz. Para não causar problemas de interpretações, o magistrado ressaltou que isso não seria nenhum confronto com o STF, apenas a melhor forma de fazer Justiça contra os criminosos.

A sugestão de Moro já está sendo articulada pelo líder do PPS na Câmara, o deputado Alex Manente, porém, com essa composição atual do Congresso, as coisas se tornam difíceis. Seria preciso uma renovação, e as Eleições estariam ai para isso.

Moro [VIDEO] também comentou que uma possível mudança desse entendimento sobre a prisão após sentença da segunda instância poderia ser visto como um passo dado para trás.

Além da Lava Jato

Conforme as informações do juiz, uma decisão equivocada da Corte poderia ir além da Operação Lava Jato. Ele afirmou que foram presas 124 pessoas nesta situação e não são só pessoas que cometem crimes de corrupção. De acordo com Moro, existem muitos pedófilos, estupradores, pessoas que desviam dinheiro da Saúde e da Educação e que ficariam livres de suas penas. O Brasil retrocederia no combate ao crime em geral.

Poderosos

Ainda segundo o magistrado, mudar a jurisprudência da Corte sobre esse tema da prisão em segunda instância seria favorecer que os criminosos poderosos continuassem livres da Justiça, pois eles, com muito dinheiro, contratariam os melhores advogados e teriam vantagens sobre os outros criminosos.

Esse argumento descrito por Moro é defendido pelos ministros do STF que são contra a revisão da prisão em segunda instância.