O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, escreveu um artigo que foi publicado no dia 09 de março pela revista Veja. No artigo, o magistrado comentou sobre as funções das Forças Armadas e de uma forma indireta deu um recado duro e de alerta ao Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o juiz, se deixarmos de lado o que realmente motivou o governo em decretar a intervenção federal no Rio, temos que torcer para que a medida seja um sucesso.

O juiz afirmou que não é das Forças Armadas a função de reunir provas, decretar prisões e emitir julgamentos. Isso cabe às autoridades competentes desta responsabilidade.

Porém, se olhar num contexto amplo tudo o que está acontecendo no Estado, as Forças Armadas devem sim agir para proporcionar a segurança pública para as pessoas, enfrentando o tráfico, já que, a polícia, nem sempre, está equipada corretamente para esses confrontos.

Segundo o juiz, algo importante deve ser observado. Toda a atuação das Forças Armadas deve ser temporária, mesmo que o combate ao crime tenha organizações poderosas criminosas na ativa.

O juiz ressaltou que o crime não é invencível e uma das formas da atuação dos militares ser temporária é desmantelando as organizações criminosas, PCC, Comando Vermelho, se utilizando de investigações fortes, processos e prisões necessárias.

Recado ao STF

No artigo, o juiz entra em um tema que está sendo muito debatido no Supremo, principalmente agora que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [VIDEO] está vivendo apuros de ser preso.

Moro comenta sobre a importância de manter presos lideranças poderosas, pois assim elas não conseguem continuar a cometer os crimes. Livres, essas lideranças podem ocultar provas, podem comandar atrocidades e todos os esforços das autoridades irem por água abaixo.

A Corrupção que devastou os cofres públicos no Rio é um problema seríssimo e deve ser enfrentado a todo momento. Dessa forma, as pessoas vão voltar a ter confiança no Estado e na democracia.

O juiz comentou que os escândalos da corrupção chegaram a níveis intoleráveis e é necessário uma vontade política para haja mudanças. Vale ressaltar que alguns ministros do Supremo buscam um novo entendimento sobre a prisão após condenação em segunda instância, o que seria um sério problema para a Lava Jato.

Comandante do Exército

O comandante geral do Exército, general Eduardo Villas Bôas, comentou em seu Twitter que o juiz Sérgio Moro abordou o tema com muita maestria [VIDEO] e parabenizou a lucidez do magistrado.

Em algumas palavras, Villas Bôas enalteceu o compromisso das Forças Armadas com a sociedade e o propósito de manter o equilíbrio social conquistado com perseverança.