Com a aproximação da corrida eleitoral pela presidência da República, a tendência é que o nome de Marina Silva [VIDEO] (Rede) volte a ser falado novamente. De quatro em quatro anos, a ex-senadora volta ao noticiário em sua tentativa de se eleger presidente da República. Nesse meio tempo, a representante maior da Rede Sustentabilidade prefere ficar mais afastada e a margem do cenário político.

Marina foi candidata nas últimas duas Eleições presidenciais, perdendo ambas para a presidente Dilma Rousseff. Em 2010, quando surgiu como um nome inesperado, acabou em terceiro lugar, com mais de 19 milhões de votos, algo que superou totalmente as expectativas de campanha.

Em 2014 [VIDEO], Marina liderou quase que por todo tempo a corrida eleitoral. No mínimo, sua presença no segundo turno era esperada, porém, no final, a ex-senadora acabou se frustrando e ficou novamente em terceiro lugar, com mais de 22 milhões de votos.

Nessa terceira vez, Marina Silva aposta que o turbilhão da Lava Jato nesses últimos anos que arrastou diversos políticos para o buraco sirva de ajuda para sua candidatura. Silva aposta em um currículo limpo de escândalos e polêmicas, enquanto seus principais concorrentes estão todos envoltos de manchetes negativas. O discurso antipolarização, voltado para uma maior serenidade, também é uma das esperanças para tocar aquele eleitorado cansado da guerra política que se instalou no Brasil desde o impeachment da presidente Dilma.

Problemas a serem enfrentados

Apesar do ótimo desempenho nas pesquisas de intenção de voto, no melhor dos cenários, sem a presença do ex-presidente Lula, Mariana aparece empatada tecnicamente na liderança com Bolsonaro, isso não se reflete em apoio de partidos.

A perspectiva é que Marina entre no pleito dessa vez com uma legenda menor do que nos anos anteriores - em 2010, disputou pelo PV, em 2014, pelo PSB.

Outro problema que a pré-candidata à Presidência da República deve enfrentar é o tempo de propaganda e os recursos repassados ao seu partido. Esses dois pontos são calculados e divididos tendo como referência a bancada na Câmara dos Deputados. Na última semana, Marina perdeu dois deputados federais: Alessandro Molon (RJ) e Aliel Machado (PR) saíram da Rede e foram para o PSB.

Com a saída de ambos, a bancada da Rede Sustentabilidade ficou com apenas três parlamentares. Para piorar ainda mais a situação de Marina, pela lei eleitora, um candidato só é obrigatoriamente chamado para os debates na TV se tiver pelo menos cinco representantes no Congresso.

Um outro ponto que pesa contra Marina é a debandada de figuras que ajudaram a construir a Rede. Em suas saídas, quase todos fizeram inúmeros elogios a pessoa de Marina e sua capacidade, porém, criticaram seu entorno.

Alfredo Sirkis, um dos idealizadores do partido e que saiu ainda em 2013, criticou a pré-candidata à época, dizendo que ela "reage mal a opiniões discordantes" e tem um "processo decisório caótico".

Estratégia para enfrentá-los

O ponto de partida para o discurso de Marina Silva, segundo aliados ouvidos pela BBC Brasil, deve ser seu currículo e passado. A ex-senadora não tem nenhuma mancha de escândalos em seu histórico, o que lhe diferencia de Lula, Bolsonaro e Alckmin, alguns dos principais concorrentes. Vinda de uma comunidade humilde, Marina conseguiu ascender socialmente e tem o reconhecimento mundial.

Porta-voz nacional da Rede, Zé Gustavo afirmou que deve-se mostrar sua capacidade de gestão. Para isso, serão explorados os feitos durante sua chefia no Ministério do Meio Ambiente (2003-2008). Gustavo ressaltou que Marina é uma excelente gestora, mas que existe um certo preconceito com relação a ela nesse quesito.