A BBC Brasil fez um levantamento neste último domingo (22) e apontou que 48 políticos envolvidos na Operação Lava Jato [VIDEO] podem perder o foro privilegiado caso não se reelejam nas eleições de 2018. Os envolvidos investigados pela Operação Lava Jato teriam seus casos enviados à primeira instância. Em cortes superiores, como o Supremo Tribunal Federal [VIDEO] (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), o andamento dos casos são consideravelmente mais lentos. A grande maioria dos investigados tentarão a reeleição.

Caso os políticos não sejam reeleitos, seus casos serão distribuídos para juízes em primeira instância. O principal que trata de processos envolvendo a Lava Jato é o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vaca Criminal Federal de Curitiba.

Um caso que pode servir de exemplo é do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB). Poucos dias após ser cassado pelos colegas de Casa Legislativa, o deputado foi mandado para a cadeia pelo juiz Sérgio Moro.

Normalmente, nos casos envolvendo a Lava Jato, o tribunal de segunda instância está confirmando a condenação. Possivelmente, após perderem o foro privilegiado e condenados em primeira e segunda instâncias, os políticos poderão recorrer junto ao STJ e STF. Porém, de acordo com o entendimento em prática no Supremo atualmente, basta as condenações em segunda instância para o início da execução de pena.

A lista levantada pela BBC Brasil aponta trinta e quatro deputados federais, dez senadores, três governadores e Michel Temer. Nomes importantes no cenário político estão nessa situação.

O emedebista Michel Temer, por exemplo, se encontra em uma encruzilhada. Caso não consiga nenhum cargo com foro privilegiado, Temer corre o risco de ter que responder as duas denúncias que foram bloqueadas por votação da Câmara dos Deputados. Temer já sinalizou que pretende disputar à Presidência da República. Segundo recente pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Datafolha, o emedebista não passa de 2%.

Senado Federal

Alguns dos senadores mais relevantes e representativos também estão na lista dos que podem perder o foro. Um dos casos que mais chama atenção é do senador tucano, Aécio Neves. O ex-candidato à Presidência da República se tornou réu na Lava Jato na última semana, por exemplo.

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, é outra figura relevante que segue sendo protegida pelo foro privilegiado. A petista tentará a reeleição pelo Paraná. Outro petista que tentará manter o foro privilegiado é o senador Humberto Costa. O senador é o líder do partido no Senado Federal.

Costa irá disputar a reeleição por Pernambuco.

O MDB é, de longe, o partido com o mair número de senadores correndo o risco de perderem o foro privilegiado. O presidente nacional do MDB, Romero Jucá, é um dos líderes de inquéritos na Lava Jato. O ex-presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, é outro emedebista que há anos corre o risco de perder o foro e sempre está como alvo do Judiciário, mas consegue se reeleger. Outro líder emedebista que está na mira da Lava Jato é o presidente do Senado, Eunício Oliveira. Outros dois senadores do MDB que tentarão a reeleição para fugir das garras da primeira instância são Edison Lobrão e Valdir Raupp.

Os outros dois senadores que correm risco de perder o foro privilegiado caso não consigam se reeleger são Ciro Nogueira, PP do Piauí, e Ivo Cassol, PP de Rondônia.

Os governadores Renan Filho (MDB), de Alagoas, filho de Renan Calheiros, Robinson Faria (PSD), do Rio Grande do Norte, e Fernando Pimentel (PT), de Minar Gerais, são os três chefes do Executivo de seus respectivos estados que correm o risco de perder o foro.