O nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue sendo o preferido das manchetes nos últimos meses. Entre os últimos recursos jurídicos do petista até sua prisão, na última noite de sábado, 7 de abril, Lula esteve presente nas principais capas de jornais, sites e revistas. Depois de preso, mais um pouco de cobertura sobre o caso, agora para entender como será o futuro do petista e o novo cenário pintado para a eleição presidencial de outubro.

Veja algumas perguntas e respostas para esclarecer o futuro

Ele pode ser eleito de dentro da prisão?

Em tese, a Lei da Ficha Limpa impede que ele dispute o pleito presidencial. Segundo ela, condenados em 2ª instância não podem concorrer a cargos públicos eletivos. Mas isso não é uma medida automática. O PT pode sim registrar sua candidatura, como já afirmou que o fará. A Justiça irá analisar o caso. Nesse meio tempo, Lula continuará sim como candidato, podendo até ser eleito de dentro da prisão, a depender da celeridade da avaliação judicial.

Como um preso pode ser eleito presidente?

A situação de Lula vai depender da velocidade que a Justiça Eleitoral dará ao caso. Se levarmos como base os julgamos em 1ª instância, será mais rápido do que o normal. O mais provável de ocorrer é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barre o registro de candidatura, mas isso pode levar algum tempo. Caberia ao PT recorrer da decisão ao Superior Tribunal Federal (STF).

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Lula PT

Caso a tramitação seja rápida, qual o futuro de Lula?

Se o TSE barrar a candidatura de Lula, o mais provável é que o PT lance um segundo nome para substituir Lula. É muito improvável imaginar uma eleição presidencial sem um candidato petista. Deixar a disputa presidencial em aberto pode causar uma insegurança muito grande. O País já está vivendo uma crise institucional, abrir mais essa brecha seria irresponsável. É difícil imaginar que o caso não seja definido antes da eleição.

Porém, se a definição se arrastar até depois da eleição?

Nesse cenário, o nome de Lula estará nas urnas no dia 7 de outubro, no primeiro turno, podendo ser votado normalmente. Caso o ex-presidente alcance o segundo turno, o que é bem provável, já que lidera todos os cenários nas pesquisas de intenção de voto, existem duas possibilidades: se o imbróglio jurídico de Lula for resolvido antes do segundo turno e ele impedido de participar, o 3º lugar na disputa será automaticamente colocado em seu lugar. Caso não se resolva entre um turno e outro, Lula irá para a disputa.

O que acontece se Lula for eleito?

O Tribunal Superior Eleitoral tem a prerrogativa de impugnar a eleição de Lula e convocaria uma nova votação. Caso tudo se arraste até depois da posse, o petista ainda correria o risco de ter o mandato cassado. O vice de Lula seria cassado junto com ele, diferente do impeachment de Dilma. Se esse cenário ocorrer, o presidente da Câmara dos Deputados é quem assumiria a Presidência da República. Ele teria 90 dias para convocar uma nova eleição direta.

PT estuda cenário sem Lula pela primeira vez

Fernando Haddad, coordenador do programa de governo, e a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, irão se reunir até a próxima segunda-feira (16) para definir que estratégia o partido irá adotar em seus próximos passos. Antes de ser preso, Lula nomeou Gleisi como sua porta-voz durante sua ausência. Porém, também disse que quer dar a palavra final no que for decidido sobre o partido que ajudou a fundar.

O PT avalia nomear Haddad e Hoffmann como integrantes da defesa de Lula. Como ambos são advogados, teriam acesso irrestrito ao ex-presidente da República, o que ajudaria a tomar decisões de forma mais rápida. Haddad, até então, vinha sendo o responsável por fazer as tratativas de acordos com partidos. Agora, a função passou para Gleisi.

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