Amigos pessoais de Michel Temer (MDB), o advogado e ex-assessor do presidente, José Yunes, e o coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo, João Baptista Lima Filho, se tornaram oficialmente réus nesta segunda-feira, dia 9.

O juiz federal Marcus Vinicius Reis, da 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que aponta os amigos do presidente Temer como integrantes de um grupo criminoso que se utilizou de poder político para obter benefícios em forma de Propina.

Batizada de “quadrilhão do MDB”, a organização teria se aproveitado do Decreto 9.048/2017, também chamado de “decreto dos portos”, para beneficiar empresas portuárias em troca de pagamentos.

Uma das empresas beneficiadas no esquema teria sido a Rodrimar S/A, que atua no porto de Santos, litoral de São Paulo.

Nos bastidores, Temer e seus aliados se reúnem para tentar se municiar juridicamente contra o avanço do caso. O Planalto acredita que a Operação Skala, criada pela Polícia Federal (PF) para investigar o caso, teria o presidente como alvo final. No início deste ano, Temer precisou responder perguntas por escrito ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Barroso, relator do caso. Temer também teve seu sigilo bancário quebrado por decisão de Barroso [VIDEO], tornando-se o primeiro presidente a ter seu sigilo quebrado durante o exercício do mandato.

Oficialmente, Temer e seus aliados negam as acusações e afirmam que o presidente está sendo vítima de uma perseguição política que visa acabar com suas possibilidades de concorrer à Presidência nas eleições de outubro.

Contudo, o presidente e seus homens de confiança já agem nos bastidores para tentar barrar uma terceira denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), considerada quase certa pelo núcleo forte do governo.

Desde que assumiu o cargo - alcançado após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), de quem era vice, em meados de 2016 - Temer já enfrentou duas denúncias da PGR. Nas duas ocasiões o presidente conseguiu barrar as denúncias através de seu apoio na Câmara. Resta saber se o presidente resistiria a uma denúncia em ano eleitoral, onde os congressistas são menos propensos a acatarem medidas impopulares que possam cobrar seu preço nas urnas.

Temer também trabalha em conjunto com seu advogado, Antonio Claudio Mariz, para chegar à uma estratégia de defesa sólida. O temor do presidente é de que as investigações contra si avancem após o fim de seu mandato e a perca do foro privilegiado, no ano que vem. As preocupações se acentuaram com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se entregou à PF no último sábado, dia 7 [VIDEO].

Há no Planalto a preocupação de que a PF e o MPF concentrem seus esforços nas investigações de políticos de outros partidos, evitando assim corroborar a tese de críticos da Lava Jato que afirmam que a operação estaria majoriatariamente perseguindo os petistas.

Presos, ex-deputados do MDB voltam a se tornar réus

Além dos dois amigos pessoais de Temer, outros aliados do presidente voltaram a se tornar réus nesta segunda. Detidos por outras investigações, os ex-deputados Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures e Henrique Eduardo Alves também são acusados de integrarem o “quadrilhão do MDB”. Destes, todos estão na prisão, com exceção de Rocha Loures, que cumpre prisão domiciliar.

Ex-assessor de Temer, Loures é apontado como um dos homens mais próximos do presidente, e teria negociado os pagamentos que seriam feitos pela Rodrimar em troca de benefícios no decreto dos portos. Temer nega que tenha participado de qualquer esquema ou autorizado qualquer pessoa a falar em seu nome. O ex-deputado também foi flagrado com uma mala com R$ 500 mil, que seriam parte da propina paga pelo Grupo J&F, controlador da JBS, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Baptista, que realizaram delações premiadas implicando Temer em acusações.