A recente prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, segue tendo reflexos importantes e negativos envolvendo outras pessoas. Na madrugada deste sábado, por volta de 4h, um homem que andava a pé efetuou disparos de armas de fogo contra o acampamento em defesa do ex-presidente montado em Curitiba-PR, em uma região próxima à Polícia Federal, onde o líder petista está preso.

Quem levou a pior foi Jeferson Lima de Menezes, 39 anos, que integrava a vigília em apoio e defesa de Lula. Ele acabou sendo atingido no pescoço por um dos disparos e teve de ser levado a um hospital.

O último boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (Sesa) descartava o risco de morte e falava em "necessidade de ventilação mecânica e pouca sedação", o que representa um quadro otimista com perspectiva de melhora.

A mesma secretaria informou que, pelo fato de a bala ter atingido apenas de raspão, não houve a necessidade de uma intervenção cirúrgica no apoiador de Lula. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) mantém cautela na investigação do crime e indica que apenas um indivíduo isolado, que estava a pé, efetuou o ataque a tiros contra os militantes petistas.

O outro tiro disparado não teve graves efeitos e acabou acertando um banheiro químico que, com os seus estilhaços, bateram no ombro de uma mulher. As autoridades recolheram cápsulas de 9 mm de pistola.

A presidente nacional do PT [VIDEO], senadora paranaense Gleisi Hoffmann, se manifestou com contundência a partir do novo caso, falou em "atentado" e pediu providências imediatas para os órgãos responsáveis pela segurança.

"Foi muito grave o atentado cometido nesta madrugada contra o acampamento em defesa da liberdade do ex-presidente do Lula. O nosso companheiro Jeferson foi baleado e está correndo risco de morte. Cobramos providências rigorosas das autoridades de segurança", escreveu Gleisi [VIDEO] em sua conta no Twitter.

Os manifestantes que seguem na vigília fizeram um protesto durante o dia contra o ato criminoso do qual foram vítimas. O acampamento se encontra a cerca de 800 metros da sede da Superintendência da Polícia Federal, onde se encontra Lula desde 7 de abril.

Moradora relata pânico por tiros

A gravidade da situação vivenciada logo no início do último sábado pode ser ilustrada pelo depoimento da empresária Jamile Demeterco, que tem residência fixa próxima ao acampamento pró-Lula.

Ela deu entrevista à emissora RPC e falou do medo que viveu ao ouvir os disparos tão perto de si.

"Eu ainda estava acordada, olhando algumas coisas no celular. Comecei a ouvir aqueles tiros todos, acho que foi uma sessão de dez disparos, me desesperei. Muito preocupada, muito assustada. Como estava com o celular, já liguei na hora para a polícia", revelou.

Jamile também conta que, antes desse evento criminoso, a situação no acampamento era "tranquila", sem nenhum tipo de reparo a ser feito. Ela avisa que, posteriormente, houve queima de fogos e muita "gritaria" no acampamento Marisa Letícia, que tem esse nome em homenagem a ex-mulher de Lula, já falecida.

Após o fato, a vigília Lula Livre se preocupou em emitir um comunicado oficial à imprensa onde repudia completamente o ataque a tiros e lembra que poderia ter havido "vítimas fatais".

"Tivemos a sorte de não termos vítimas fatais, o que não diminui em nada o fato da tentativa clara de homicídio. Isso tem motivação clara de quem não aceita que a nossa vigília é pacífica e em defesa do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva", garante um trecho da nota.