O juiz da 7° Vara Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, participou de uma palestra na Universidade de Harvard, Estados Unidos, nesta última segunda-feira, 16 de abril. O juiz foi responsável por colocar na cadeia o ex-governador do Estado, Sérgio Cabral, e se tornou conhecido por dar ''duras'' penas a criminosos envolvidos em Corrupção.

Na palestra, o juiz ressaltou temas importantes. De princípio, Bretas pediu que os Estados Unidos colaborassem de maneira mais eficaz com a Operação Lava Jato do Brasil. Ele avaliou que o dólar é uma moeda muito utilizada em processos de lavagem de dinheiro e citou exemplo de criminosos que se refugiaram, de forma luxuosa, nos Estados Unidos.

Um dos criminosos é um dos nomes mais importantes na responsabilidade pela decadência financeira do Rio.

Ao comentar o caso, Bretas afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO] trabalha de forma lenta, prejudicando o trabalho dos juízes. Os ministros não analisam a homologação de delação premiada havendo esperas de mais de um ano.

Um fato que chamou atenção foi o juiz Bretas falar da relação entre magistrados e empresários. No Brasil, Bretas disse que é muito comum grandes magistrados terem um relacionamento ''promíscuo'' com empresários a fim de obter uma troca de vantagens. Um exemplo são magistrados que aceitam atuar em troca de nomeações políticas.

Marcelo Bretas disse que a força contra a corrupção não virá do Poder Legislativo devido a quantidade de parlamentares que ''se vendem'' em troca de posições em empresas para os filhos, um contrato milionário e mais.

Bretas disse que são essas formas de atuação entre políticos, empresários e magistrados que retrocedem o processo da luta contra a corrupção. O juiz também contou que será muito difícil encontrar uma caixa de dinheiro com um magistrado, mas através de outras formas, é realizado uma troca de favores que prejudica a sociedade.

As falas de Bretas poderiam soar como uma indireta ao Supremo Tribunal Federal, que julga importantes casos envolvendo políticos e empresários. No evento que Bretas participou, o ministro do Supremo Luiz Roberto Barroso também discursou e falou sobre impunidade.

O juiz [VIDEO] também mostrou sua posição sobre o foro privilegiado. Bretas disse que réus confessos demoram décadas para serem julgados, isso acontece pelas condições financeiras do réu que trazem benefício aos criminosos em todo o processo.