A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, não tem gostado das insinuações e comentários feitos pelo decano da Corte, Celso de Mello. Os dois sempre foram muito próximos, mas, nos últimos dias, estão com a relação estremecida.

Conforme informações do "O Antagonista", a ministra recebeu apelos do decano pedindo para que ela paute no Supremo o caso da prisão após condenação em segunda instância.

Porém, a ministra não concorda com uma possível mudança na jurisprudência do STF, principalmente agora que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em evidência com sua prisão. Qualquer alteração no entendimento poderia dar a impressão de ajuda a Lula.

Mesmo que um ministro tenha mudado sua opinião sobre a prisão após condenação em segunda instância, isso não seria caso de voltar ao assunto já definido em 2016.

A insistência de Mello é porque ele defende que todos os condenados possam responder em liberdade até se esgotar o último recurso disponível na Justiça. Isso poderia demorar anos e anos e com a Justiça lenta do Brasil, o condenado poderia, inclusive, nunca cumprir a sua pena. Um dos exemplos é o caso do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, que foi condenado a cumprir pena por corrupção, mas está doente e conseguiu a prisão domiciliar autorizada pelo STF

Ministra de opinião

As decisões de Cármen Lúcia tem chamado a atenção pela força em não se corromper com os interesses de poderosos.

Ela tem sido elogiada por procuradores da Operação Lava Jato e, enquanto estiver no no comando do STF, poderá ser sempre uma boa resposta contra a corrupção.

Porém o seu reinado acaba em setembro e o novo presidente do STF será o ministro Dias Toffoli. Para muitos defensores da Lava Jato, seria uma verdadeira tragédia Dias Toffoli no comando, já que ele tem votado contra os desejos da operação. Mas a ministra também estaria causando um certo receio e temor no meio dos condenados e suspeitos de corrupção.

Preocupação

Conforme informações da Globo, os advogados dos acusados e condenados que possuem seus casos para serem analisados pela Segunda Turma da Corte, sabem que Cármen saindo da presidência irá entrar para a Segunda Turma e muitos habeas corpus que são concedidos poderão ser negados.

Hoje, na Segunda Turma, os votos de Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes têm derrubado Edson Fachin e Celso de Melo.

Com a entrada de Cármen Lúcia, o jogo pode virar.

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