O deputado e pré-candidato à Presidência da República [VIDEO], Jair #bolsonaro (PSL), ganhou destaque na mídia e redes sociais por suas frases feitas e posicionamentos extremistas, em um momento em que a polarização na política brasileira era notória. O alvo principal de Bolsonaro durante os últimos anos foi o Partido dos Trabalhadores e, em especial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a prisão de Lula no último sábado (7), o deputado deve perder seu alvo principal de ataques.

Para não perder espaço na mídia e continuar ganhando curtidas e compartilhamentos nas redes sociais, o deputado precisaria achar rapidamente um novo alvo para sua metralhadora de palavras.

O escolhido foi Ciro Gomes (PDT), outro pré-candidato à Presidência da República. Diferente de Lula, que raramente respondia aos ataques de Bolsonaro, Gomes é mais propenso a respostas pelos microfones.

Ciro Gomes é considerado pelo grupo de apoio de Bolsonaro como a principal ameaça ao deputado. Ciro já ocupou praticamente todos os cargos eletivos possíveis. Diferente de Bolsonaro, tem vasta experiência no poder Executivo, já foi governador no estado do Ceará. Também tem experiência como ministro [VIDEO], por duas vezes. A primeira como ministro da Fazenda, de 1994 a 1996. Futuramente, foi ministro da Integração Nacional, de 2003 a 2006.

Um dos principais pontos negativos de Bolsonaro, e pelo qual é constantemente criticado, Ciro é expert. Gomes é considerado um conhecedor de economia de mão cheia, tanto que já foi ministro da Fazenda.

Por outro lado, Bolsonaro tenta se desvencilhar da pecha de falho em economia

Uma curiosidade que liga os dois, no dia 5 de dezembro de 2002, ano em que Ciro Gomes disputou a corrida presidencial e perdeu para Lula, Bolsonaro fez um pronunciamento na Câmara dos Deputados e afirmou que votou em Ciro.

"“...jamais votaria no candidato do Fernando Henrique Cardoso. No primeiro turno, trabalhei para Ciro Gomes, que perdeu."

Em entrevista à rádio Assunção, do Ceará, Bolsonaro deixou escapar mais uma vez o que pode ser considerada uma admiração. O deputado afirmou que tem "muita coisa em comum" com Ciro Gomres. Disse que ambos defendem o Brasil, mas que às vezes pecam por falar demais.

Segundo a consultoria Eusaria, com informações da Folha de S. Paulo, sem Lula na disputa, aumentam as chances de um segundo turno entre Bolsonaro e Ciro Gomes. O grupo de apoio de Bolsonaro acha mais provável uma disputa com Gomes do que Alckmin, que consideram ter poucas chances pela sua incapacidade de deslanchar nas pesquisas.

Ciro e o PT

Por muitos meses, se foi especulada a possibilidade de PDT e PT se unirem na disputa presidencial. Ciro Gomes já deixou claro inúmeras vezes que a chapa dos seus sonhos teria Fernando Haddad como vice-presidente. Porém, o próprio Ciro também ressaltou que o PT não aceitaria não ser cabeça de chapa.

Quem apostava que com a saída de Lula da disputa presidencial iria acontecer uma aproximação entre PT e Ciro, parece que se enganou. A presença do pedetista foi sentida no ato de despedida de Lula antes da prisão. Segundo informação da Folha de S. Paulo, petistas garantiram que a ausência de Ciro fechou a porta de qualquer aproximação entre sua candidatura e o Partido dos Trabalhadores.

Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados, disse que a ausência de Ciro fez com que ele perdesse a oportunidade de se aproximar de um eleitorado em potencial. Carlos Lupi, presidente do PDT, afirmou que nem ele e nem Ciro teriam condição de chegar a tempo do ato. O pedetista ainda garantiu que irá visitar Lula nos próximos dias, caso ele continue preso. #Dentro da política