Aos 72 anos de idade, o ex-ministro José Dirceu teve uma resposta negativa do Tribunal Regional Federal da 4° Região (TRF-4), que acabou não acatando seus recursos. Com essa decisão, resta aguardar uma ordem do juiz federal Sérgio Moro para prender o petista.

Conforme uma entrevista dada à Folha de São Paulo, José Dirceu acredita que nunca mais sairá da cadeia. Ele estava com uma tosse nervosa e com os olhos inchados em decorrência de uma operação que fez nas pálpebras.

Essa operação já seria um preparo para o que ele vai enfrentar na sua cela: luz fraca, e ele precisa estar bem porque passará muito tempo lendo livros.

De acordo com o ex-ministro, como ele está condenado a 41 anos de prisão, dificilmente vai conhecer novamente a liberdade, caso se confirme o decreto de prisão.

Ele afirmou que preso ou em liberdade tentará fazer as mesmas coisas, pois não pode, segundo ele, "brigar com a cadeia".

Depressão

O ex-ministro comentou que, quando esteve preso, era "sacudido" por outros detentos explicando para ele que a prisão deve ser aceita, mesmo sendo algo difícil de assimilar e suportar. Segundo Dirceu, eles falavam que existem pessoas no mundo em situação tão desumana e mesmo assim conseguem criar alternativas para poder viver.

Geralmente, o recado para aqueles que chegam à prisão é o seguinte: os presos antigos perguntam se o novato já chorou, se já rezou, se já leu a bíblia, se já chamou a mamãe, pois agora, eles devem focar no trabalho para fazer remissão da pena.

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Um outro ponto defendido pelos detentos, é que cada um transforme a sua cela numa coisa própria. Por exemplo, coloque fotos de familiares, põe a bandeira do time e tenta vivenciar e olhar para aquele cubículo como algo que faz parte de sua vida.

Conforme relatos dos outros presos, se isso não for feito, a depressão toma conta e aí já era.

Dirceu confessou que quando entrou no sistema penitenciário sentiu-se um pouco deprimido, mas com o emprego que arrumou na biblioteca, as coisas melhoraram.

Família

O ex-ministro também falou que um dos motivos de grande dor para os detentos é quando os familiares vão embora. Ele disse que primeiro tem que dar a impressão a eles que está tudo bem e não é bom chorar na frente dos filhos. Quando eles vão embora, a coisa aperta.

Ele contou que esteve uma vez com o ex-ministro Antonio Palocci e recebeu a informação de que Léo Pinheiro iria complicar a vida do ex-presidente Lula.

Ele soube que Palocci também estava planejando a sua delação.

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