Nesta quinta-feira (26), o juiz federal Sérgio Moro se pronunciou sobre a decisão da Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) e afirmou que aguarda a publicação do acórdão para depois definir se deve ou não declinar da competência do processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para o juiz, houve precipitação dos dois lados. Primeiro do Ministério Público Federal, que se revoltou com os ministros e ressaltou que a competência é dele, e depois da defesa de Lula, que nem esperou a publicação da Segunda Turma e já o colocou sem competência para julgar as ações do petista.

Moro afirma que há a necessidade de aguardar a publicação do acórdão da Segunda Turma para depois analisar a extensão do julgado.

De acordo com o juiz, não há "ordem expressa" para que ele mande as ações do ex-presidente para outro estado, e por essa razão, indeferirá o pedido dos advogados de Lula.

O juiz da Lava Jato comentou, no despacho, que muitas provas foram colhidas antes mesmo dos ex-executivos da construtora Odebrecht delatarem. Dessa forma, existe um forte conteúdo que pode ser usado tranquilamente para apurar os fatos. Com isso, nada saíra de suas mãos automaticamente.

Segundo Moro, existem referidos depoimentos colhidos no começo das investigações e que trazem informações importantíssimas, como, por exemplo, reformas no sítio de Atibaia (SP) supostamente bancadas pela empreiteira OAS e pelo pecuarista José Carlos Bumlai.

Acordo de Palocci

Novas informações também estarão, em breve, à disposição da 13° Vara Federal de Curitiba (PR), da qual Moro é titular.

Antonio Palocci, ex-ministros dos governo de Lula e Dilma Rousseff (PT), conseguiu negociar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). Ele só foi proibido de citar membros do Judiciário, pois estes possuem foro privilegiado.

Moro ficará encarregado de fazer a homologação. Os petistas sabem que Palocci pode complicar o partido ao entregar esquemas fraudulentos que favoreceram o partido. Palocci afirmou que entregará dois grandes bancos e empresas que teriam sido beneficiadas com contratos ilícitos.

Defesa de Lula

Os advogados do ex-presidente querem tirar de Moro todos os inquéritos que envolvam Lula. O plano seria solicitar a migração das apurações sobre empresas de palestras do petista e a propriedade do sítio de Atibaia.

A defesa de Lula [VIDEO] se apega nessa última decisão da Segunda Turma e quer Lula longe das mãos de Moro. A rigidez do juiz tem preocupado os advogados. Lula cumpre prisão na carceragem da PF [VIDEO]em Curitiba e tenta a todo custo a sua liberdade.