A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF), mais propriamente ao relator da Lava Jato Edson Fachin, para que ele não atenda a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que teria pedido que Fachin enviasse à Justiça Federal do Paraná denúncias contra integrantes do PT.

A defesa de Lula entrou com o pedido, nesta segunda-feira (23), e agora guarda um posicionamento de Fachin. Raquel Dodge havia solicitado ao ministro que envie todos os processos do quadrilhão do PT para os cuidados do juiz federal Sérgio Moro. De acordo com ela, os processos envolvem corrupção da Petrobras e caberia ao juiz Moro analisar todos os casos.

O juiz só ficaria impossibilitado de julgar aqueles que possuem foro privilegiado, no caso, a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo.

O Partido dos Trabalhadores foi denunciado por suposta prática de crime de organização criminosa e tudo será apurado nas investigações.

Edson Fachin havia separado os casos de foro privilegiado e determinou que a Justiça do DF investigasse todas as suspeitas que envolvem o PT. Nesses processos há o envolvimento também de Lula, dos ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega e da presidente cassada Dilma Rousseff.

Quadrilhão do PT

O inquérito conhecido como quadrilhão do PT, começou no STF, mas por lá só ficaram os casos de foro privilegiado.

Lula não quer que esses processos cheguem nas mãos do juiz da Lava Jato.

Conforme a sua defesa, a segunda denúncia feita pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot envolveu acusações não apenas na estatal, mas também em órgãos públicos. Um dos casos mencionados pelo ex-procurador-geral é o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por essa razão, eles não querem que Moro cuide dessa parte, já que não envolve só a Petrobras.

A vontade dos advogados do petista é que nada vá para a primeira instância e tudo fique no STF. Talvez, por ser mais demorado os processos e com mais certeza de absolvição.

Caso não puder ficar no STF, que pelo menos, não chegue nas mãos de Moro, pedem os advogados de Lula [VIDEO].

Manifestação da PGR

Raquel Dodge tem sido firme em seus propósitos e tem confiado nos trabalhos de Sérgio Moro. Ela chegou a dizer em um evento na presença do juiz e de Marcelo Bretas que uma das grandes lições da Lava Jato tem vindo desses juízes de primeiro grau, que combatem a corrupção com efetividade e firmeza.