Antes aiados, agora, rivais. Com a aproximação cada vez maior das eleições de outubro, políticos e partidos passam a olhar mais para o próprio umbigo e esquecem das alianças e aliados dos últimos anos. Em uma eleição tão imprevisível como a que está pitando, um apoio errado pode custar muito caro nas urnas.

Um dos principais exemplos de aliança duradoura que já não existe mais é a do PT e MDB para o Executivo Nacional. Michel Temer [VIDEO] foi candidato à vice-presidente na chapa vencedora de Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Agora, não cogita-se nem de longe uma possível aproximação entre os partidos no pleito presidencial de outubro.

Pelo contrário, após o impeachment de Dilma, Michel Temer se aproximou do PSDB, principal opositor petista, e por muitos meses sustentou seu governo nos tucanos, principalmente em Aécio Neves [VIDEO]. O emedebista até que tentou, mas não conseguiu manter a aliança por muito tempo e também racharam.

No mundo ideal, após o impeachment de Dilma para os opositores, Temer iria governar até acabar o mandato e passaria o bastão para Aécio Neves. Esse foi acordo firmado entre ambos. Ainda quando o senador mineiro presidia o PSDB, ele exigiu de Temer a garantia que não tentaria a reeleição e o apoiaria. O que Aécio não esperava é que, menos de dois anos depois, tivesse sido afastado do cargo, visto a irmã e o primo presos e se tornado réu na Lava Jato.

Presidência embolada

No cenário turbulento que se encontra a política brasileira, o que antes era um jogo de cartas marcadas entre PT e PSDB durante as quatro últimas eleições - todas vencidas pelo PT -, hoje está bem mais embaralhado.

20 partidos já sinalizaram que irão lançar candidato próprio à Presidência da República. Faltando cerca de seis meses para a eleição, o Partido dos Trabalhadores nem candidato garantido tem. Já os tucanos tem Geraldo Alckmin, que não empolga ninguém, nem os próprios companheiros de partido.

Dois aliados fiéis, PC do B e DEM sinalizam que irão abandonar os "irmãos" mais velhos. Os comunistas devem lançar Manuela D'Ávila, enquanto os democratas estudam a candidatura do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Até o MDB, que desde 1994 não lança candidatura própria à Presidência da República, sempre nas sombras de PT e PSDB, avalia tentar a sorte. Michel Temer e Henrique Meirelles são os planos A e B, respectivamente.

Divórcios nos estados

João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB) querem a bênção de Temer no governo de São Paulo. Ambos são, respectivamente, primeiro e segundo colocados na última pesquisa Datafolha. Michel Temer terá que costurar a aliança escolhendo um tucano em detrimento a um candidato do próprio partido, ou vice-versa.

Minas Gerais é outro estado que está borbulhando. Historicamente, PT e MDB são aliados há anos. Esse ano, o divórcio aconteceu. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do País, e o MDB precisa de um palanque caso Temer queira mesmo disputar a reeleição. O vice-governador, Antônio Andrade, é a opção dos emedebistas. Já o governo do estado é comandado pelo PT, com Fernando Pimentel. Enquanto os tucanos mineiros são apadrinhados por Aécio Neves. Por isso mesmo, aliados históricos querem manter distância do PSDB em Minas Gerais.

A Bahia é outro estado-chave. Muito foi especulado que o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), poderia ser vice de chapa do PSDB no pleito presidencial. Descartado. Depois, que iria concorrer ao governo do Estado com apoio tucano. Descartado, também. A parceria de oito anos entre DEM e PSDB na Bahia deve ser desfeita e candidatos concorrentes irão às urnas. Assim, Alckmin e Maia teriam palanque no estado.

O que se desenha, tanto em nível nacional como estadual, é que o pleito desse ano será, basicamente, cada um por si, entre os cachorros grandes.