O juiz Sérgio Moro, responsável pela condução das investigações da maior operação anticorrupção e toda a história contemporânea do Brasil, a Operação Lava Jato [VIDEO], se manifestou durante ministração de uma aula aos alunos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), nesta terça-feira à noite (10). O magistrado paranaense é o titular da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, capital do estado do Paraná.

Diante da prisão do ex-presidente [VIDEO] Luiz Inácio Lula da Silva, Moro foi contundente, durante a aula ministrada aos alunos da PUC gaúcha, em afirmar que a possibilidade de que ocorram erros judiciais, não devem ser fator preponderante para que sirvam de justificativa para o condicionamento de prisão de condenados, em se tratando da probabilidade de ocorrência de julgamentos em todas as quatro instâncias do Poder Judiciário do país, conforme apregoam uma parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que pretendem mudar o entendimento relacionado à prisão em segunda instância.

'Metáfora fantástica'

Durante a realização da aula ministrada para alunos da PUC do Rio Grande do Sul, o juiz Sérgio Moro foi categórico ao comentar sobre uma metáfora que ele considerou como "fantástica", proferida pelo promotor italiano Antonio Di Pietro. O procurador italiano é considerado o mais famoso procurador que atuou como membro de uma das maiores operações anticorrupção já deflagradas no mundo, a Operação Mãos Limpas, na Itália. Vale ressaltar que a Operação Lava Jato teve como grande incentivo a Mãos Limpas, pela qual ela se inspirou.

Ao fazer uso de uma metáfora de Di Pietro, Sérgio Moro reforçou sua tese, ao afirmar que a prisão de condenados deve ocorrer, após esgotados os recursos judiciais em tribunais de segunda instância. Moro disse: "Em aviões temos piloto e co-piloto e um deles pode ocasionar de errar. Entretanto, o outro também pode errar. De modo eventual, os dois podem ter infartos simultâneos, mas não é por isso, por esse tipo de hipótese que resultaria numa tragédia ou de erro, que se colocam mais dois pilotos na cabine do avião. Isso pode significar que um juiz de primeira instância, de primeiro grau, pode errar e o tribunal da segunda instância, também pode errar. Mas, a perspectiva de erro se prossegue nas outras instâncias, ou seja, não é porque você aumenta o número relativo de instâncias judiciais que isso não pode haver um erro do Poder Judiciário".