Embora muitos esperassem, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, não ocorreu nesta sexta-feira, 6. Na quinta, um dia depois da conclusão do julgamento do habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que negou a demanda da defesa do líder petista por 6 votos a 5, o juiz federal Sérgio Moro emitiu mandado de prisão e solicitou que o condenado se entregasse à Polícia Federal em Curitiba até às 17h desta sexta.

No entanto, o prazo acabou não sendo cumprido pelo ex-presidente da República, que permaneceu no interior do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, onde chegou por volta das 19h de quinta-feira.

No entendimento do Partido dos Trabalhadores, o PT, Moro fez uma "oferta" a Lula sugerindo o prazo das 17h, mas a "oferta" não foi aceita pelo ex-presidente e seus advogados.

Enquanto permanecia no interior do Sindicato, palco de uma série de reuniões com advogados e outros líderes políticos, Lula via iniciar desde as primeiras horas da tarde desta sexta uma arrastada negociação entre a sua defesa e a Polícia Federal de Curitiba, que aguardava a presença do ex-presidente. O fato de muitos militantes terem tomado as cercanias do prédio do Sindicato impossibilitava uma "busca" por parte da PF, no entendimento da própria polícia.

Em cima de um caminhão de som, líderes políticos e outros simpatizantes a Lula se revezavam com o microfone fazendo discursos e emitindo palavras de ordem em defesa do líder da esquerda brasileira.

Um dos mais exaltados na defesa da "resistência" de Lula foi Guilherme Boulos, líder do MTST e pré-candidato à presidência da República pelo PSOL.

Acordo é costurado entre as partes

Sem acerto entre as partes até o fechamento desta matéria, por volta de 23h30 de sexta-feira, a tendência é que Lula [VIDEO] seja preso neste sábado. Há um componente pessoal que interfere nas ações a partir de agora: neste sábado pela manhã, no próprio sindicato, haverá uma missa em memória à ex-primeira dama Marisa Letícia, que faria 68 anos e faleceu em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no início de fevereiro do ano passado.

Segundo informou o jornal O Globo ainda nesta sexta, a Polícia Federal e a defesa de Lula teriam acertado a prisão para depois dessa missa, em que Lula deve discursar, no ato que tem início marcado a partir das 9h30. Por volta de 8h, os advogados novamente se reunião para debater a logística e viabilizar o processo de busca no próprio sindicato, que é o que deseja o ex-presidente.

Coincidência ou não, houve demonstrações de pacificidade de ambos os lados durante a tarde desta sexta-feira. Lula, por exemplo, evitou fazer um discurso inflamado para exaltar ainda mais a militância - como era esperado e chegou a ser anunciado pela imprensa que falaria. Já o juiz federal Sérgio Moro, por sua vez, não decretou prisão preventiva mesmo após o horário das 17h [VIDEO], que tinha sido o prazo dado por ele mesmo para que o petista se apresentasse em Curitiba.

Habeas corpus negado

Como mais uma tentativa de defesa, Lula teve outro habeas corpus negado. Nesta sexta-feira, foi a vez do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na pessoa do ministro Félix Fischer, negar um HC pedido pela defesa de Lula.

Na quarta-feira, em uma sessão de votação tensa, arrastada, demorada e até nervosa, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu rejeitar o habeas corpus solicitado por Lula e a partir de então "abriu caminho" para que o juiz Sérgio Moro decretasse ordem de prisão a Lula, o que foi feito imediatamente no dia seguinte. Mesmo assim, ainda não é possível cravar com firmeza em qual momento o ex-presidente brasileiro irá para a cadeia.