O comandante do Exército brasileiro, Eduardo Villas Bôas, causou polêmica na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações do general soaram como um claro recado aos ministros que iriam julgar o ''caso Lula''.

Desde que se manifestou na rede social Twitter, Villas Bôas viu o número de seguidores na sua página duplicar. Até o dia 3 de abril havia 110 mil seguidores, com o posicionamento do general o número passou rapidamente para 220 mil seguidores.

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Em uma pesquisa realizada pelo Datafolha, os entrevistados deixaram claro que os militares do Exército têm total direito de opinar sobre a política brasileira. Cerca de 61% dos entrevistados apoiaram a manifestação vinda do Exército envolvendo casos polêmicos como o de Lula.

Na véspera do julgamento do petista, Villas Bôas afirmou que anseia, assim como grande parte da população, o repúdio à impunidade e o combate da corrupção no Brasil. Ele afirmou que o Exército posiciona-se contra crimes que podem prejudicar a população.

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O ex-procurador da República, Rodrigo Janot, e até o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, responderam o Tweet do general. Segundo Jungmann, não haveria nenhuma possibilidade do Exército assumir o poder. As declarações de Villas Bôas ficaram nas entrelinhas, alguns acreditaram que o Exército estaria se preparando para surpreender a população na luta contra a corrupção.

Polêmicas com declarações de generais

No ano passado, o general Antonio Hamilton Mourão disse que as Forças Armadas iriam ''impor uma solução'' para a situação crítica do Brasil, caso o sistema Judiciário não fosse capaz de resolver a questão.

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Na ocasião, Villas Bôas não puniu o general, mas um decreto assinado em 2002 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que militares não podem se posicionar sem autorização sobre assuntos políticos.

No entanto, ainda há muitas dúvidas sobre a aplicação da regra. Especialistas em Direito afirmam que Villas Bôas só poderia ser desautorizado nas declarações pelo presidente Michel Temer, porém o emedebista não se posicionou sobre o assunto.

Ainda sobre a pesquisa do Datafolha, cerca de 56% dos brasileiros apoiam a democracia. Para outros 21% ''tanto faz'' se o regime for ditadura ou democracia. Apenas 17% afirmaram que a ditadura seria a melhor opção em relevadas circunstâncias.

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