O presidente Michel Temer (MDB) fez às pressas um pronunciamento, nessa sexta-feira, no Palácio do Planalto, em Brasília. Ele estava furioso com a notícia do jornal Folha de S. Paulo que dizia “PF vê indícios de que Temer lavou dinheiro em imóveis”. O presidente rebateu dizendo “é uma perseguição criminosa disfarçada de investigação”.

O emedebista disse ainda que as acusações de que seus imóveis têm origem ilícitas não são cabíveis, pois, segundo ele, não foi solicitado a sua defesa nenhum documento. Temer completou dizendo que pensar que irão lhe derrubar é ilusório, pois não irão conseguir.

Em outro trecho do pronunciamento, disse que vai sugerir ao ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, que apure de modo interno como ocorreram esses vazamentos, que ele caracterizou como "irresponsáveis".

Em nota, Jungmann afirmou que determinou ao diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, que apure imediatamente o possível vazamento ocorrido durante o inquérito policial sobre os fatos relacionados à edição do decreto responsável pela regulação da exploração de portos organizados e de instalações portuárias.

Jungmann disse também que no Estado democrático de direito é inadmissível comprometer o direito legítimo de defesa e a presunção de inocência de qualquer cidadão brasileiro ou do presidente da República. Em nota, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) disse que manifesta sua preocupação sobre a entrevista do atual presidente da República, Michel Temer, a respeito da investigação sobre a possível prática de lavagem de dinheiro que o envolve, seus familiares e também amigos.

A entidade ainda completou que apenas reitera apoio à instituição e não protege, muito menos persegue pessoas ou autoridades públicas, somente cumpre com o seu dever previsto de investigar fatos e condutas caracterizadas como crimes. Não é a primeira vez que ocorre vazamento de informações sobre Temer.

Além disso, o presidente perdeu força com a prisão de vários de seus amigos, entre eles José Yunes, advogado e empresário, e João Batista Lima Filho, coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo. Ambos são suspeitos de operar propinas para Temer.

A Polícia Federal tem intensificado suas operações de combate à corrupção. O Brasil está na 96ª posição no ranking do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2017, sendo pior situação nos últimos cinco anos. Os dados anteriores a 2012 não podem ser considerados devido às estatísticas só terem se tornado comparáveis pelo IPC a partir de 2012.

Segundo a Transparência Internacional, a perceptível queda que vem sido observada durante os últimos anos pode ser explicada devido à Operação Lava Jato, outras grandes operações e esforços notáveis do país para enfrentar este problema.