O temor de Lula e de seus aliados se confirmou no fim da tarde desta quinta-feira, dia 5. Ao ser notificado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) sobre a negação do Supremo Tribunal Federal (STF) no pedido de habeas corpus [VIDEO] do ex-presidente, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal expediu a ordem de prisão [VIDEO] para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve se apresentar até as 17h desta sexta-feira, dia 6, na seda da Polícia Federal (PF) de Curitiba.

O ex-presidente foi condenado em segunda instância pelo TRF-4 a 12 anos e 1 mês de prisão no chamado “caso do tríplex”. Lula foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O líder petista é acusado de ter sido beneficiado com um apartamento de luxo na cidade do Guarujá, no litoral de São Paulo, em troca de benefícios à empreiteira OAS.

Em seu despacho que determinou a ordem de prisão, Moro afirmou que concedia a Lula o direito de se apresentar voluntariamente “em atenção à dignidade do cargo que ocupou”. Moro também proibiu o uso de algemas na entrega de Lula, relatando que os detalhes da prisão do ex-presidente devem ser acertados entre a defesa de Lula e os delegados da PF.

No decreto, o juiz paranaense também que a PF preparou uma sala reservada na superintendência da PF de Curitiba onde o ex-presidente começará a cumprir a pena. Moro também determinou que Lula esteja separado dos demais detentos, “sem qualquer risco para a integridade moral ou física”.

Chamada por Moro de “Sala de Estado Maior”, o local que deve abrigar o ex-presidente Lula em seus primeiros dias de pena tem cerca de 15 metros quadrados, com banheiro. O local foi adaptado com uma cama e uma mesa para uso do ex-presidente. A sala fica no quarto andar da superintendência da PF na capital do Paraná. Antes, o local abrigava uma beliche e servia como dormitório para funcionários da própria PF de outras regiões que passavam pela cidade.

Lula passa a madrugada no Sindicato dos Metalúrgicos e diz que não vai se entregar em Curitiba

O ex-presidente Lula recebeu a notícia da ordem de prisão decretada por Sérgio Moro na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, localizada em São Bernardo do Campo. O presidente também acompanhou a votação do STF que negou seu habeas corpus no local.

O presidente passou a madrugada na sede sindical, acompanhado de seus filhos e aliados políticos. Por volta das 2h da madrugada, o ex-presidente acenou para militantes que se reuniram em frente ao local, e desceu para cumprimentar parte deles.

De acordo com a Polícia Militar (PM), cerca de mil pessoas estão em frente ao local, sendo a maioria apoiadores do ex-presidente, que gritam palavras de ordem contra a prisão do líder petista. Entre os apoiadores que estiveram junto com Lula na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC estavam a ex-presidente Dilma Rousseff (PT); a senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffman; e os pré-candidatos à Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB).

Na manhã desta sexta-feira, a defesa do ex-presidente apresentou um novo pedido de habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo informações veiculadas pelo jornal Folha de S. Paulo, o ex-presidente teria revelado em pessoa que não pretende se entregar voluntariamente em Curitiba ao fim da tarde.

Presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto teria revelado ao jornal paulistano que dificuldades de segurança e logística impediriam que o ex-presidente se deslocasse até a capital paranense para se entregar. A defesa também aguarda que o ministro Félix Fischer, da 5ª Turma do STJ, emita um parecer sobre o novo habeas corpus.

Os advogados do ex-presidente argumentam que Moro não respeitou o esgotamento dos recursos ao TRF-4 para determinar a prisão. Segundo a defesa, Lula não pode começar a cumprir a pena antes de esgotados todos os embargos junto ao tribunal de segunda instância.