O juiz federal Sérgio Moro teve uma atitude interessante ao dar a opção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entregar à Polícia Federal (PF) voluntariamente. O juiz chegou a ser criticado até mesmo por procuradores da Operação Lava Jato, mas ninguém compreendia qual era a intenção do magistrado.

Para entender melhor a tática do juiz, basta voltar ao dia 4 de março de 2016, quando Moro determinou a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor à PF.

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Os advogados do petista ficaram revoltados e argumentaram que o juiz não deveria ter agido assim, já que Lula sempre se colocou a disposição da Justiça e em hipótese nenhuma se negou a dar depoimento.

Conforme a defesa do petista, uma condução coercitiva somente se justificaria caso Lula não tivesse atendido uma intimação anterior. Porém, o magistrado provou a todos que estava certo.

Ao decretar a prisão de Lula, o juiz pediu para que ele se entregasse até ás 17h de sexta-feira (6). Lula não cumpriu a ordem e se entregou apenas um dia depois. E sua apresentação só foi possível, quando a PF ameaçou dizendo que o petista pode ser o responsável por toda a baderna dos seus aliados que não deixavam os agentes federais levarem o ex-presidente preso.

A presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), percebeu que a situação estava ficando pesada para Lula, que tentou sair e não conseguiu porque as pessoas não deixavam, e pediu para que abrissem caminho para o ex-presidente. Caso contrário, ele poderia ser penalizado.

Só assim, Lula [VIDEO] conseguiu se dirigir a um carro da PF.

Sérgio Moro [VIDEO]mostrou que Lula é desobediente e a condução coercitiva evitaria todo esse caos que se formou em torno dele. Moro pode ter aberto os olhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que em uma decisão monocrática, impediu que ocorresse no país a condução coercitiva. Para o ministro, a condução coercitiva é inconstitucional e restringe a liberdade de locomoção.

Próximas sentenças e ataques

Com certeza, Moro agirá diferente nas próximas ações contra Lula. Nos próximos processos, o ex-presidente poderá ser preso diretamente, caso esteja solto ou em prisão domiciliar. Conforme o site O Antagonista, "Moro está sempre um passo à frente de seus críticos."

Em seus últimos discursos, Lula proferiu vários ataques ao juiz da Lava Jato no Paraná e o chamou de mentiroso. Lula também criticou o Ministério Público Federal e o STF.

Nesse momento, o petista cumpre sua pena na Superintendência da PF em Curitiba. Ele foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4° Região (TRF-4).